Feminicídios no DF se concentram em dois dias da semana; entenda
Segundo o Anuário da Segurança, feminicídios ocorrem mais aos sábados e às segundas, com picos ao meio-dia e às 18h. Especialista explica
atualizado
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Dados do 2º Anuário de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) mostram que os feminicídios no DF se concentram principalmente aos sábados e às segundas-feiras, por volta das 12h e das 18h.
O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (24/3) na sede da Polícia Civil, em Brasília.
Para explicar a incidência dos casos nesses dias, a psicóloga Mariana Luz, especialista em violência de gênero, cita o maior tempo que vítima e agressor passam juntos, especialmente nos fins de semana, o que pode intensificar conflitos.
“O período da noite está associado à volta para casa, ao cansaço e ao maior isolamento. Há menos circulação de pessoas e menor vigilância, o que pode favorecer o início ou a intensificação das agressões. Muitas vezes, a violência começa nesse momento e vai se agravando ao longo das horas e dias”, explica.
Nos dois últimos anos, foram registrados 50 feminicídios — sendo 22 em 2024 e 28 em 2025.
No ano passado, os casos se concentraram mais perto do meio-dia. Já no ano anterior, o pico foi por volta das 18h.
Em relação aos dias da semana, o sábado concentrou 21% das ocorrências em 2025, enquanto a segunda-feira liderou em 2024, com 27% dos registros.
Esse prolongamento da violência ajuda a explicar o pico de casos no início da semana, especialmente por volta do meio-dia.
“Depois de um fim de semana de agressões, a mulher pode reunir forças para sair de casa, pedir ajuda ou encerrar o relacionamento. Esse é um momento de alto risco, porque pode provocar uma reação violenta do agressor. Em muitos casos, o feminicídio acontece justamente quando ela tenta romper”, afirma a especialista.
Ela acrescenta que o anuário conta com o registro do feminicídio, e não o horário exato em que ele possa ter ocorrido.
“Muitas ocorrências pela manhã são, na verdade, a continuidade de conflitos que começaram à noite ou situações de ataque premeditado, quando a vítima está iniciando a rotina, em um momento de maior vulnerabilidade”, diz.
