General Paulo Chagas sabatinado: “O Estado não precisa ter empresas”

Declaração foi dada pelo candidato ao GDF pelo PRP, que respondeu perguntas de sindicatos parceiros e de jornalistas

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 21/08/2018 17:01

O candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF) pelo PRP, general Paulo Chagas, encara a equipe do Metrópoles em sabatina na tarde desta terça-feira (21/8). Chagas responde perguntas dos sindicatos parceiros e de jornalistas. O evento é transmitido ao vivo em todas as redes sociais do portal: Facebook, Twitter e YouTube.

Esse é o penúltimo candidato da série de sabatinas, para qual todos os 11 candidatos ao cargo máximo do Executivo local foram convidados. Apenas o governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), não compareceu.

Paulo Chagas encabeça a coligação Brasília Acima de Tudo, composta pelo PRTB e PRP. O candidato a vice-governador é o presidente do PRP-DF, Adalberto Monteiro.

“A sabatina é uma das melhores oportunidades para o candidato apresentar suas propostas. É a maneira de mostrarmos à população a que viemos”, afirmou Chagas.

Segundo ele, a principal proposta para um possível mandato é reorganizar o DF. “Vamos enquadrar a saúde no SUS; a educação no Plano Nacional de Educação e a segurança pública em harmonização”, disse.

Acompanhe a sabatina:

 

A sabatina
No início do evento, Chagas foi questionado sobre a situação dos servidores. Ele disse que uma reforma da Previdência só pode ser realizada “após grande auditoria”.

“Se dependesse de mim, a reforma só seria feita com auditoria externa, isenta, que nos apresentasse todos os problemas: A Previdência vai quebrar ou não? Nada disso se sabe ainda”, afirmou.

Sobre o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev), o candidato salientou que, por se tratar de uma entidade do funcionalismo, “não deve ter interferência” do Poder Público. “Pretendo restabelecer as condições anteriores do Iprev [antes da reforma]. O fundo pertence ao trabalhador”, acrescentou.

Em seguida, o general respondeu a pergunta sobre o cumprimento de objetivos previstos no Plano Distrital de Educação (PDE). “Vamos fazer uma revisão do PDE para saber se as metas são as necessárias, e vamos segui-lo.”

Sobre a equiparação do salário dos professores com servidores de outras carreiras, o general afirmou que “se é lei, tem que cumprir”.

O militar afirmou ainda que é preciso honrar o compromisso de pagar o reajuste dos servidores. “Só não será cumprido se não tiver dinheiro”, disse. Sobre a equiparação salarial da Polícia Civil com a Federal, ele disse não entender por que a isonomia foi quebrada.

Paulo Chagas reforçou que, pelo histórico de disciplina, tem condições de governar o DF e colocar a capital nos eixos.

Não sou fanfarrão, não faço promessas, eu cumpro missões. Minha missão é arrumar tudo que não está funcionando bem. O aumento aos servidores é uma dívida, tem que ser paga

General Paulo Chagas

Loteamento de cargos
O militar também rechaçou a velha prática de lotar órgãos públicos com indicações políticas e prometeu acabar com essa realidade. “Não tenho comprometimento político nenhum, não tenho passado político. Então não vou negociar cargo nenhum. Meu compromisso é com as pessoas que vão me eleger governador.”

“Não devo nada a ninguém. Não vou negociar outra coisa a não ser interesse público”, prometeu Paulo Chagas.

Segurança pública
Após falar sobre administração, o tema foi segurança. Para o buritizável, “o sistema de segurança pública é um elo, é integrado e não deve ter nenhuma sobreposição de uma categoria para a outra”.

O militar, contudo, evitou tecer críticas aos balanços da criminalidade divulgados periodicamente pelo governo. Na avaliação de entidades sindicais ligadas ao setor, hoje há uma subnotificação das ocorrências. “Seria leviano da minha parte dizer que os dados de violência estão corretos ou não. Posso dizer que o sistema está desorganizado”, disse.

Uma das soluções para o problema da segurança, reforçou Paulo Chagas, passa pela valorização dos servidores. “O policial tem que ser remunerado de acordo com o nível de importância que ele tem para a sociedade”, afirmou.

Uma hipótese descartada pelo militar é a junção das forças policiais em uma só. “Sou contra a unificação das polícias. Mais de 60 mil brasileiros morrem violentamente. Vamos parar agora para fazer reformulação? Não. Temos que usar os meios que nós temos.”

Saúde
Ao comentar a situação de pacientes que sofrem em filas de hospitais na capital da República, Chagas frisou que o sistema é deficitário em todas as frentes.

“As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) não estão nos locais adequados, não têm profissionais suficientes. Se a população não é atendida na unidade básica, vai direto para a emergência e sobrecarrega o sistema”, avaliou.

Na opinião do candidato, a realidade também é crítica nas Unidades de Pronto Atendimento. “As UPAs não estão funcionando. Os médicos estão estressados, não têm como atender”, disse Paulo Chagas.

Para ele, a saúde pública do DF está caótica. “Esse assunto merece a atenção do governo de imediato, com todos os recursos que ele tiver. Pensei que a segurança pública seria a prioridade, mas não: é a saúde.”

Sobre a transformação do Hospital de Base em instituto, para Chagas, há muita crítica em relação ao tema. Ele diz julgar necessária uma auditoria em cima dessa forma de administração para saber se está ou não dando certo.

“Considero uma demagogia dizer que vou acabar com o IHB sem saber a situação que está. A minha missão é fazer o Hospital de Base voltar a ser uma referência nacional”, disse.

Banco de Brasília
Questionado pelo Sindicatos dos Bancários sobre manter o Banco de Brasília como instituição pública, o general disse que o BRB tem dado lucro e não vê a necessidade de privatizá-lo. No entanto, descartou o uso da entidade para acomodar aliados.

Não farei do BRB um cabide de empregos.O BRB tem funcionários competentes, com espírito de corpo

General Paulo Chagas

Bolsonaro e as mulheres
Sobre política para mulheres, Chagas disse que precisa corrigir uma impressão negativa que parte do eleitorado tem sobre o presidenciável Jair Bolsonaro: “Ele não é a favor de as mulheres ganharem menos.”

Para o candidato ao Buriti, o papel do governo não é olhar se quem está desempregado é homem ou mulher: é preciso criar oportunidade de emprego. “A discriminação no Brasil é crime. O papel do governo é proteger as pessoas que ainda dependem do Estado, e as pessoas desempregadas são algumas delas.”

Quando questionado por que a chapa majoritária não tem mulheres, Paulo Chagas respondeu que cumpriu o percentual de 30% de mulheres na nominata.

Perguntas de jornalistas
Após a etapa de questionamentos formulados por entidades sindicais, passou-se à fase de indagações dos jornalistas do Metrópoles.

O general explicou a proposta do plano de governo a qual aponta a não “ideologia enviesada”: segundo Paulo Chagas, o termo trata, na verdade, de uma forma “elegante” de se referir à ideologia de gênero.

“Escola não é local para você pregar ideologias. As ideologias têm que ser colocadas para eles sem nenhum tipo de viés ou de interferência. Por isso, defendo a escola sem partido”, pontuou.

Questionado sobre no que é igual a Bolsonaro, Chagas respondeu que tem a mesma formação do colega de farda. “Temos identidade de valores, patriotismo, família e Deus. Esse comprometimento com a pátria também faz parte da nossa formação”, ressaltou.

A respeito das denúncias contra Jair Bolsonaro, de que teria planejado explodir bombas dentro de quartéis, Paulo Chagas foi enfático: “Esse processo foi arquivado por falta de provas. Não há evidências de que o capitão Jair Bolsonaro tenha ameaçado colocar bombas. Não podemos continuar insistindo nessa ideia se a acusação foi arquivada”, defendeu.

Outro tema abordado pelo militar foram as politicas para minorias. Para o candidato, “todos são iguais perante a Deus”. Na avaliação de Chagas, “você tem que tratar a todos dessa maneira, não é um favor. É uma obrigação legal”, completou.

“Mesmo se alguém chegar aqui homofóbico, machista, tem que cumprir a lei. Respeito todas as diferenças porque quero ser respeitado. Se estiver ao meu alcance coibir alguma injustiça, o farei. Isso não como governador, mas como ser humano”, afirmou.

O buritizável, contudo, deu uma declaração polêmica ao falar sobre políticas de inclusão. Segundo ele, as cotas raciais e sociais acabam “discriminado os próprios cotistas”.

Economia
Ao comentar como melhorar as contas do governo, o militar disse que é possível aprimorar a arrecadação ao fiscalizar os incentivos dados ao setor privado. “Tem que reduzir o tamanho do Estado, na medida do possível, para que ele atrapalhe menos.”

Paulo Chagas disse ainda que dará recompensas financeiras para quem cumprir determinadas metas, caso seja eleito.

O candidato afirmou também partir do princípio que “o Estado não precisa ter empresas”. Contudo, disse que “isso não quer dizer que vou chegar no governo e privatizar tudo. É preciso ter uma auditoria para saber se estão cumprindo sua finalidade”.

Para ele, empresa não pode dar “prejuízo em cima de prejuízo”. “No caso da CEB, digo que tem que ser estudado se é o caso de privatizá-la.”

Cobrança em estacionamentos
Uma medida polêmica defendida pelo candidato é a substituição de flanelinhas em estacionamentos públicos da cidade. Chagas explicou que pretende instituir uma zona azul, para cobrar tarifas de motoristas.

“Quero desestimular a população a vir de carro para o Plano Piloto. É preciso usar o transporte público”, disse.

Perfil
Militar da reserva, Paulo Chagas faz palanque para o colega de farda e presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). Apesar de ter feito carreira dentro do quartel e do pouco contato com a política na esfera eleitoral, o general costuma dizer que não se trata de uma candidatura voltada ao militarismo, mas sim de um cidadão que fez a vida profissional na caserna.

Entre as promessas do plano de governo do candidato do PRP está a criação da “Lava Jato do DF”. Além disso, prevê a eliminação dos supersalários de um eventual governo, limitando ao teto constitucional as remunerações dos servidores da administração direta e indireta. A ação seria aplicada e fiscalizada por duas pastas: a Procuradoria-Geral do DF e a Controladoria-Geral.

Dinâmica
A dinâmica da sabatina funciona da seguinte forma: primeiro, o candidato fará uso da palavra por um minuto para se apresentar. Em seguida, responderá perguntas elaboradas pelas entidades sindicais patrocinadoras do evento – os questionamentos, previamente gravados, são exibidos em um telão. Por fim, os jornalistas indagarão os postulantes ao Palácio do Buriti. No total, a conversa terá duração de 1 hora e 15 minutos.

Serão realizadas perguntas das seguintes entidades: Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (SindSaúde), Sindicato dos Professores do DF (Sinpro), Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol), Sindicato dos Delegados de Polícia (Sindepo), Sindicato da Categoria dos Peritos Oficiais Criminais (SindiPerícia) e o Sindicato dos Bancários de Brasília, além da CUT.

No primeiro dia, foram sabatinados Alberto Fraga (DEM)Renan Arruda (PCO)Júlio Miragaya (PT)Ibaneis Rocha (MDB)Alexandre Guerra (Novo) e Fátima Sousa (PSol). No segundo, participou a postulante Eliana Pedrosa (Pros), e Antônio Guillen (PSTU). O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) não compareceu.

Cronograma das sabatinas restantes nesta terça-feira (21/8)
19h – Rogério Rosso (PSD)

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