CLDF: oposição acusa GDF de oferecer cargos para aprovar projetos

Chico Vigilante e Leandro Grass dizem que essa foi a forma usada pelo Buriti para convencer colegas a votarem a favor do governo

Myke Sena/ Especial para o MetrópolesMyke Sena/ Especial para o Metrópoles

atualizado 16/12/2019 16:39

A Câmara Legislativa encerrou a última semana de votações de 2019 com 53 projetos do GDF aprovados em primeiro e segundo turno. Em meio aos debates e discussões em plenário, a oposição subiu o tom e acusou o Buriti de oferecer cargos na estrutura do governo para os deputados governistas em troca do aval para as propostas palacianas.

Um dos argumentos da oposição é a quantidade de nomeações registradas no Diário Oficial (DODF). Na última segunda-feira (09/12/2019), por exemplo, foram sete. No dia seguinte, primeiro de votações na semana, houve 73. A maioria, em administrações regionais – que costumam ser os redutos onde os distritais têm maior influência.

Destaque para nomeações no Riacho Fundo I, com 11 indicações; Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) e Vicente Pires, com nove em cada; Riacho Fundo II e Lago Sul, com oito. Ainda na terça-feira (10/12/2019), o Palácio do Buriti publicou edição extra do DODF com outras 41 nomeações e 42 exonerações.

Naquele dia, o GDF havia colocado em pauta os principais projetos da semana: o Plano Distrital de Segurança; os limites das poligonais das regiões administrativas; a autorização para o governo credenciar organizações sociais (OSs) de outras unidades da Federação; e o aval para o Instituto de Gestão Estratégica da Saúde (Iges-DF) construir sete novas unidades de pronto atendimento (UPAs).

Deputados da oposição, como Chico Vigilante (PT) e Leandro Grass (Rede), afirmaram que colegas governistas se reuniram com integrantes do governo na Câmara Legislativa para “dividir” e “receber” cargos do GDF.

“Basta ver o Diário Oficial dos últimos três dias. Não é por que é novo na política que faz nova política. Tem muita gente aqui que não está interessada em eleição para administrador regional por querer continuar a indicar gente”, criticou Vigilante.

Leandro Grass emendou. “O governador prometeu que não iria colocar pessoas sem capacidade, mas não é isso que está acontecendo.”

Centrão

Os maiores beneficiados seriam integrantes do chamado Centrão: distritais independentes, mas que em sua maioria apoiaram as demandas do governo. O grupo formado por sete parlamentares era, até o início da semana, a maior bancada da Casa, com peso para impedir a aprovação de pautas importantes para o Executivo.

O líder do bloco, denominado Brasília em Evolução, Roosevelt Vilela (PSB), afirma que as pautas apresentadas pelo governo eram boas e tinham alinhamento com o grupo, por isso tiveram apoio. Ele nega que houve oferecimento de cargos por parte do GDF.

“Pode procurar no DODF: não houve nomeações nas administrações nas quais nós temos alguma influência. Em um ou outro cargo pode ter havido o desbloqueio de nomeações pendentes, mas não recebemos nada em troca”, afirmou Roosevelt.

O secretário de Relações Institucionais do GDF, Bispo Renato Andrade (PL), assegurou não ter ocorrido a troca de votos por cargo. De acordo com o articulador político do Buriti, o governo está fazendo rearranjos, o que justifica as nomeações e exonerações apresentadas no DODF.

“Podemos observar os diários anteriores. Estão sendo feitas as recomposições do governo. Algumas são publicações da estrutura das secretarias e de administradores”, afirmou Bispo Renato.

Na noite de quinta-feira (12/12/2019), o governo publicou nova edição extra do DODF. Nesse caso, em vez de nomeações, Ibaneis Rocha assinou 157 decretos tornando sem efeito nomeações anteriores.

Questionado, o GDF informou apenas que “o ato de nomear ou exonerar é uma prerrogativa do exercício de governador”.

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