Naskar: “Continuo responsável”, diz empresário que comprou fintech

Douglas Silva de Oliveira passou a Naskar para o nome de uma mulher de 77 anos, mas alega que continua na controladoria da fintech

atualizado

metropoles.com

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Após a Naskar Gestão de Ativos mudar novamente de dono, o empresário Douglas Silva de Oliveira, 26 anos, afirmou ao Metrópoles que segue sendo responsável pela fintech. A declaração foi dada na noite dessa terça-feira (9/6).

“Continuo como responsável [da Naskar]. Mudamos apenas a diretoria, a controladoria segue sendo minha”, disse Douglas à reportagem.

O empresário declarou ainda que está mudando o formato administrativo da Naskar de sociedade limitada (LTDA) para sociedade anônima (SA), mas não explicou o objetivo da alteração.

Em meio ao calote de R$ 900 milhões que pertencem aos cerca de 3 mil clientes, os três sócios da empresa deixaram os cargos e passaram a propriedade da Naskar para o nome de Douglas, em meados de maio. Os investidores criaram expectativa, mas não tiveram nenhum contato direto do novo dono. Pelo contrário: em 2 de maio, Douglas saiu do cargo de sócio da empresa e passou o posto à Célia de Fátima Ferreira, uma idosa de 77 anos moradora de Uberlândia (MG).

Perguntado sobre a nova proprietária, Douglas informou apenas ser “sócia há alguns anos”. A mulher de fato aparece em sociedade com o jovem em outras empresas, como a TRX Investimentos S/A, e responde a processo que acusam os envolvidos de fraude em aluguéis de veículos e máquinas.

E o dinheiro?!

Novamente questionado sobre quando os 3 mil clientes terão seus valores de volta, Douglas alegou estar “trabalhando arduamente” e culpou os antigos proprietários da Naskar, Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato.

“Estamos tendo dificuldade na transição com a antiga diretoria devido ao atraso na documentação que comprove os valores devidos a todos. Até o momento, temos 70% apurado”, informou.

Por fim, Douglas diz que os canais da Azara nas redes sociais foram suspensos pelas plataformas devido ao excesso de mensagens recebidas.

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Relembre o caso

  • Naskar Gestão de Ativos é uma fintech com 13 anos de atuação. A empresa operava captando recursos de clientes com promessa de  retorno de 2% ao mês, valor muito acima do operado pelo mercado.
  • Por exemplo: se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa se comprometeria a cuidar do patrimônio investido pelo cidadão.
  • Apesar de o valor prometido ser bem maior do que o praticado por bancos tradicionais, a Naskar atuou durante os 13 anos de existência sem que clientes tivessem problemas.
  • Até que o pagamento mensal de rendimentos, que era previsto para 4 de maio, não foi realizado.
  • Os clientes, então, buscaram contato com os sócios para entender o que estava ocorrendo, mas nenhum respondeu. Os empresários em questão são Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, o ex-jogador de vôlei e apresentador de TV Maurício Jahu.
  • Sem contato com os sócios da Naskar, os investidores logo foram ao aplicativo da instituição para verificar se o patrimônio investido ainda estava ali. O app, porém, deixou de funcionar em 6 de maio e ainda não voltou ao ar.
  • A Naskar chegou a ter sede no DF e, mais recentemente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP). Contudo, mudou-se desse local fixo sem informar os clientes, conforme noticiou o Metrópoles em 9/5.
  • Na manhã de 14/5, a Naskar anunciou que uma empresa norte-americana chamada Azara Capital teria comprado por R$ 1,2 bilhão a fintech brasileira. A tal Azara é que supostamente ficaria responsável por ressarcir os clientes, movimento que começaria a ocorrer a partir de 18/5, segundo ambas as empresas. Nada disso ocorreu.
  • Azara Capital apresenta várias inconsistências: o site não informa nomes de presidente, diretores ou de qualquer pessoa; o endereço físico informado é de Miami, na Flórida, mas o Google Maps aponta a localização informada para o Ocean Bank, banco comercial independente; o perfil @azara.capital no Instagram foi criado há apenas três meses; entre outras questões.
  • Até o momento, os clientes da Naskar não obtiveram retornos concretos sobre quando (e se) receberão os valores de volta.
  • Agora, o empresário Douglas Azara, que chegou a fazer um vídeo prometendo pagar os investidores, se retirou da sociedade.

Conheça o ex-dono

Douglas Silva, 25 anos, possuia endereços residenciais no Distrito Federal e em Uberlândia (MG), além de constar como administrador, sócio-administrador e/ou representante legal de, ao menos, 12 empresas brasileiras como fintechs, fazendas, postos de combustíveis e transportadoras.

Entre elas, o Banco Phoenix, do qual Douglas é representante legal e sócio-administrador, chega ao capital de R$ 1 bilhão de invesatimento, sob razão social Jabuti Capital Venture Group Ltda, registrada em 9 de janeiro de 2024 e com sede em Uberlândia (MG).

O império do jovem empresário tem negócios sediados no DF. Um deles é Azara Instituição de Pagamentos (mesmo nome do suposto banco norte-americano). Douglas é o único sócio da empresa, criada em fevereiro deste ano, com sede no Setor Hoteleiro Sul (SHS). O Metrópoles foi ao local e descobriu que a empresa nunca se instalou no endereço informado.

Somados, os capitais das 12 empresas chegam a R$ 2,4 bilhões. Veja abaixo a relação dos nomes, com datas de instituição e valores investidos:

Sem responsáveis

O caso é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que até o momento não prendeu ou responsabilizou ninguém pelos desfalques milionários. Após o sumiço ser revelado pela reportagem em maio, os boletins de ocorrências, inicialmente apenas três, dispararam e chegaram a mais de 30.

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