Naskar: calote em investidores completa 1 mês com nova troca de dono
Após calote de R$ 900 milhões completar 1 mês, empresário deixa sociedade e passa fintech Naskar para mineira de 77 anos
atualizado
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O escândalo envolvendo a Naskar Gestão de Ativos completou um mês sem qualquer sinalização de que os cerca de 3 mil clientes recebam o dinheiro que investiram na fintech. O prejuízo total gira em torno de R$ 900 milhões.
Enquanto os investidores vivem dias de incerteza, se depararam, na terça-feira (2/6), com mais um “movimento estranho”: o empresário Douglas Silva de Oliveira deixou o quadro de sócios e passou a Naskar para o nome de uma idosa de 77 anos identificada como Célia de Fátima Ferreira. A mulher é mineira de Uberlândia e não tem qualquer histórico no mercado financeiro.
A gestora norte-americana Azara Capital LLC, da qual Douglas Azara é apresentado como responsável, foi anunciada em 14 de maio como compradora da fintech, que assumiria as pendências com os lesados pelo suposto golpe.
Douglas chegou a gravar um vídeo de mais de 8 minutos explicando por que decidiu adquirir a empresa e prometendo pagar os clientes.
A reportagem acionou Douglas, que negou a saída da empresa: “Continuo como responsável, mudamos apenas a diretora, mas a controladoria continua minha. Além disso, estamos mudando a Naskar de LTDA para SA”.
Quanto à devolução dos valores aos cerca de 3 mil clientes da Naskar, Douglas afirma estar esperando o envio de documentação por parte dos sócios anteriores. “Estamos tendo dificuldade na transição com a antiga diretoria devido ao atraso na documentação que comprove os valores devidos a todos. Até o momento, temos 70% apurado”, alega.
Por fim, Douglas diz que os canais da Azara nas redes sociais foram suspensos pelas plataformas devido ao excesso de mensagens recebidas.
Relembre o caso
- A Naskar Gestão de Ativos é uma fintech com 13 anos de atuação. A empresa operava captando recursos de clientes com promessa de retorno de 2% ao mês, valor muito acima do operado pelo mercado.
- Por exemplo: se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa se comprometeria a cuidar do patrimônio investido pelo cidadão.
- Apesar de o valor prometido ser bem maior do que o praticado por bancos tradicionais, a Naskar atuou durante os 13 anos de existência sem que clientes tivessem problemas.
- Até que o pagamento mensal de rendimentos, que era previsto para 4 de maio, não foi realizado.
- Os clientes, então, buscaram contato com os sócios para entender o que estava ocorrendo, mas nenhum respondeu. Os empresários em questão são Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, o ex-jogador de vôlei e apresentador de TV Maurício Jahu.
- Sem contato com os sócios da Naskar, os investidores logo foram ao aplicativo da instituição para verificar se o patrimônio investido ainda estava ali. O app, porém, deixou de funcionar em 6 de maio e ainda não voltou ao ar.
- A Naskar chegou a ter sede no DF e, mais recentemente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP). Contudo, mudou-se desse local fixo sem informar os clientes, conforme noticiou o Metrópoles em 9/5.
- Na manhã de 14/5, a Naskar anunciou que uma empresa norte-americana chamada Azara Capital teria comprado por R$ 1,2 bilhão a fintech brasileira. A tal Azara é que supostamente ficaria responsável por ressarcir os clientes, movimento que começaria a ocorrer a partir de 18/5, segundo ambas as empresas. Nada disso ocorreu.
- A Azara Capital apresenta várias inconsistências: o site não informa nomes de presidente, diretores ou de qualquer pessoa; o endereço físico informado é de Miami, na Flórida, mas o Google Maps aponta a localização informada para o Ocean Bank, banco comercial independente; o perfil @azara.capital no Instagram foi criado há apenas três meses; entre outras questões.
- Até o momento, os clientes da Naskar não obtiveram retornos concretos sobre quando (e se) receberão os valores de volta.
- Agora, o empresário Douglas Azara, que chegou a fazer um vídeo prometendo pagar os investidores, se retirou da sociedade.
Conheça o ex-dono
Douglas Silva, 25 anos, possuia endereços residenciais no Distrito Federal e em Uberlândia (MG), além de constar como administrador, sócio-administrador e/ou representante legal de, ao menos, 12 empresas brasileiras como fintechs, fazendas, postos de combustíveis e transportadoras.
Entre elas, o Banco Phoenix, do qual Douglas é representante legal e sócio-administrador, chega ao capital de R$ 1 bilhão de invesatimento, sob razão social Jabuti Capital Venture Group Ltda, registrada em 9 de janeiro de 2024 e com sede em Uberlândia (MG).
O império do jovem empresário tem negócios sediados no DF. Um deles é Azara Instituição de Pagamentos (mesmo nome do suposto banco norte-americano). Douglas é o único sócio da empresa, criada em fevereiro deste ano, com sede no Setor Hoteleiro Sul (SHS). O empresário declarou investimento de R$ 13 milhões.
Somados, os capitais das 12 empresas chegam a R$ 2,4 bilhões. Veja abaixo a relação dos nomes, com datas de instituição e valores investidos:



