Circus Maximus: Justiça Federal nega habeas corpus a Ricardo Leal
Ex-conselheiro do BRB, ele é investigado por supostamente chefiar um esquema milionário de desvio de dinheiro do banco

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal, indeferiu pedido da defesa de Ricardo Luís Peixoto Leal para converter a prisão preventiva dele em domiciliar. Denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por supostamente chefiar um esquema milionário de desvio de dinheiro do Banco de Brasília (BRB), o ex-conselheiro da instituição financeira foi preso pela Operação Circus Maximus e encaminhado, em 28 de fevereiro, ao Complexo Penitenciário da Papuda.
“Existem indícios fortes de montagem e estruturação da organização criminosa e a sua total liderança no grupo do conglomerado bancário por parte de Ricardo Leal. A manutenção de sua prisão é essencial para a garantia da ordem pública”, justificou Vallisney.
Os advogados do ex-presidente do BRB Vasco Cunha Gonçalves, que também está preso, solicitaram à Justiça a liberação dos valores bloqueados na conta bancária do cliente que excedam o valor de R$ 200 mil. Eles pediram, ainda, que o banco entregue documentos considerados “imprescindíveis à defesa”. O juiz não concedeu nenhum dos requerimentos. As decisões foram assinadas na última terça-feira (23/04/2019).
O advogado de defesa de Vasco Gonçalves, Mauro Roza, afirmou que Vallisney não negou os pedidos. “Ele disse que deveria ser feito em petição diferente, não no processo”, falou. Segundo o defensor, será feito um pedido separado para liberação dos salários de Vasco. “Faremos isso ainda esta semana”, concluiu. A defesa de Ricardo Leal não atendeu às ligações da reportagem.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDenúncia
Leal está preso na ala de segurança máxima da Papuda. No mesmo setor, estão Vasco e Henrique Domingos Neto, dono corretora BI Asset Management (BIAM DTVM) que, segundo os investigadores, fazia a ponte entre as empresas e o banco. De acordo com o MPF, o grupo investigado teria negociado pelo menos R$ 40 milhões em propina. Ao todo, teriam sido movimentados R$ 400 milhões de dinheiro do BRB.
Os três foram considerados réus pela Justiça e já tinham sido presos durante a deflagração da Operação Circus Maximus, mas acabaram soltos por força de uma liminar cassada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Na denúncia, os procuradores acusam integrantes da diretoria do banco, durante a gestão do ex-governador Rodrigo Rollemberg, de terem usado poderes de seus cargos para beneficiar as construções do Hotel Trump, no Rio de Janeiro, e da Praça Capital, erguida pela Brasal no DF. Eles teriam recebido aportes incompatíveis com os interesses do banco público.
O MPF também cita em sua peça operação de empréstimo milionário ao jornal Correio Braziliense. Delatores da Circus Maximus contaram aos promotores que o negócio foi feito sob medida para salvar o periódico, embora a empresa não reunisse condições para honrar o compromisso financeiro.
Arrecadador
Ricardo Leal foi o tesoureiro de campanha de Rollemberg. O ex-conselheiro do BRB controlava pelo menos quatro contas na Suíça. Era ele quem, segundo a denúncia, articulava toda a contratação da diretoria que controlava o esquema no BRB.
Preso novamente, Ricardo Leal tem cogitado oferecer ao MPF um acordo de delação premiada. Ele, Rodrigues e Domingos Neto ocupam celas individuais na ala conhecida como Cascavel, por abrigar os presos mais perigosos do sistema penitenciário e ter as condições mais modestas do Complexo da Papuda.



