BRB: preso, Ricardo Leal, arrecadador de Rollemberg, vai para a Papuda
Denunciado pelo Ministério Público Federal por liderar esquema de corrupção no Banco de Brasília, ele perdeu o direito à prisão domiciliar

O arrecadador de campanha do ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB), Ricardo Leal (foto em destaque), perdeu o benefício da prisão domiciliar e será novamente levado pela Polícia Federal ao Complexo Penitenciário da Papuda, nesta quinta-feira (28/2). Ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), no âmbito da Operação Circus Maximus, por liderar o suposto esquema de desvios de recursos no Banco de Brasília (BRB).
A medida foi adotada após a 10ª Vara de Justiça Federal restabelecer ordem de prisão preventiva contra ele. O ex-presidente do BRB Vasco Rodrigues também deveria ter sido levado para a Papuda nesta quinta (28). Mas ele não foi localizado pela PF até a publicação desta reportagem.
O ex-executivo do banco foi preso com Leal no dia 29 de janeiro. Entretanto, acabou conseguindo um habeas corpus e sendo liberado. Porém, a mesma decisão da 10ª Vara determinou que ele fosse preso de novo.

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Ver todasApelidado de Chuck, Criança ou Kid, pela precocidade com que iniciou suas peripécias financeiras, Ricardo Leal foi arrecadador das campanhas de Rodrigo Rollemberg (PSB) ao Senado (2010) e para o Governo do Distrito Federal em 2002 e 2014. Em 2015, Leal assumiu o comando do Conselho de Administração do BRB, indicando vários nomes de sua confiança para o corpo diretivo do banco.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFDe acordo com delação feita ao Ministério Público Federal (MPF) pelo empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, Ricardo Leal teria recebido R$ 100 mil em dinheiro de propina para saldar dívidas de campanha do ex-governador.
O advogado de Vasco Gonçalves, Iuri Cavalcante Reis, informou que vai recorrer da decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele afirmou que o ex-presidente do BRB se apresentará ainda nesta quinta (28). O defensor de Ricardo Leal, Hamilton Carvalhido, disse que também recorrerá à Corte superior: “Vamos postular nova medida cautelar”.
Henrique Domingues Neto, da corretora BI Asset Management (BIAM DTVM), também foi preso. Ele é apontado como o elo entre empresas, o grupo Banco de Brasília (BRB) e seu conglomerado. Segundo peça do Ministério Público Federal, ele teria cobrado e recebido por fora, em caixa 2 ou ocultamente, os valores milionários de cada investimento de ações dos empreendimentos Praça Capital (Grupo Brasal), em Brasília, e LSH Barra, ex-Trump Hotel, no Rio de Janeiro. Ambos feitos em fundos administrados pela BRB/DTVM.
Outras decisões
A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF-1) também derrubou a decisão que mantinha em liberdade o empresário Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho, neto do ex-presidente da República João Baptista Figueiredo. De acordo com as investigações, cabia a ele autorizar pagamentos de propina envolvendo o LSH Barra RJ, além de participar da lavagem de dinheiro.
Paulo Renato não chegou a ser preso durante a operação, em janeiro, por estar nos Estados Unidos. Entretanto, conseguiu um habeas corpus para responder ao processo em liberdade.
Os empresários Felipe Bedran Calil e Henrique Domingues Neto também tiveram os pedidos de soltura negados pelo colegiado. Os dois são acusados de emitir notas fiscais falsas para lavar o dinheiro envolvido nas operações suspeitas. A reportagem não conseguiu apurar se eles foram presos novamente.
Investigações
A Operação Circus Maximus apura transações suspeitas no BRB. São citados na ação os empreendimentos do Edifício Praça Capital, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA); do LSH Lifestyle Hotel, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro; e a reestruturação da dívida do jornal Correio Braziliense, que tem sede no Setor de Indústrias Gráficas (SIG).
O MPF apontou, com base na diligência da força-tarefa da Greenfield, a existência de esquema criminoso instalado na cúpula do BRB que movimentou, segundo investigadores, R$ 400 milhões da instituição financeira – que tem 96,85% das ações ordinárias controladas pelo Governo do Distrito Federal.
Os procuradores estimam que atividades fraudulentas movimentaram mais de R$ 40 milhões em propinas. De acordo com o MPF, os suspeitos “organizaram uma indústria de propinas e favorecimentos para investimentos em detrimento do procedimento técnico e da boa gestão que se espera das instituições financeiras”. Dezessete pessoas foram denunciadas.



