PF apreende 63 quadros escondidos por denunciados na Circus Maximus, diz MPF

Obras pertencem, segundo Ministério Público Federal, a Henrique Domingues Neto e Henrique Leite Domingues, acusados de desvios no BRB

atualizado 22/02/2019 13:56

Imagem cedida ao Metrópoles

A Operação Circus Maximus teve novo desdobramento nesta quinta-feira (21/2). A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal apreendeu 63 quadros que pertencem a Henrique Domingues Neto e Henrique Leite Domingues, respectivamente, pai e filho. Os dois estão entre os 17 denunciados à Justiça por envolvimento em um suposto esquema de corrupção no Banco de Brasília (BRB).

Os objetos estavam, segundo o MPF, escondidos em um depósito na Zona Industrial do Guará (SCIA) – conhecida como Cidade do Automóvel. O valor do patrimônio ainda será calculado pelos investigadores.

A força-tarefa do MPF descobriu a existência dos bens após a deflagração da Circus Maximus, no fim de janeiro. Os quadros estavam sob custódia de terceiros o que, em tese, dificultaria o andamento das investigações.

No entanto, a propriedade dos objetos pôde ser comprovada no local por meio de documentos encontrados que demonstraram o acerto da custódia do acervo. O pedido de apreensão foi autorizado pela 10ª Vara de Justiça Federal na última sexta-feira (15).

Veja imagens dos quadros apreendidos pela Polícia Federal:

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Lavagem de dinheiro
Segundo o Metrópoles apurou, os suspeitos investiam alto em obras de arte. Fontes policiais informaram que esse tipo de movimentação costuma ser usada para lavar dinheiro de origem ilícita.

Em 2015, por exemplo, o Museu Oscar Niemeyer de Curitiba recebeu quadros apreendidos durante a Operação Lava Jato. Entre as peças, havia pinturas de artistas como Salvador Dalí, Claudio Tozzi e Aldemir Martins.

O outro lado
Segundo o advogado Pedro Ivo Velloso, as obras são de Henrique Neto e foram mencionadas por ele em audiência de custódia. De acordo com o defensor, “trata-se de coleção antiga que estaria à venda muito antes da investigação”.

Velloso questiona ainda a informação do MPF de que os quadros estariam escondidos. “Como estariam escondidos se foram declarados no Imposto de Renda?” Ainda segundo o advogado, são obras de autores variados, “mas não há nenhuma de altíssimo valor”.

Quem são os Henriques?
Henrique Domingues Neto trabalha com o filho, Henrique Leite Domingues, na corretora BI Asset Management (BIAM DTVM), na qual é sócio dirigente. Ele é apontado como o elo entre empresas, o BRB e seu conglomerado.

Para os investigadores, ele é considerado experiente: atua há décadas no mercado de capitais e é “conhecedor profundo dos mecanismos de compra e venda de ações”. Logo no início, cobrou e recebeu por fora, em caixa 2 ou ocultamente, os valores milionários de cada investimento de ações feito nos respectivos fundos administrados pela BRB/DTVM que, supostamente, foram usados para desviar recursos do banco.

Já Henrique Leite Domingues seria vinculado a Ricardo Leal – arrecadador de campanha do ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Leal é apontado pelo MPF como o líder da quadrilha responsável pelos desvios no BRB. Segundo o Ministério Público, Domingues atuou para a aprovação, dentro do banco, de investimentos fraudulentos na instituição brasiliense.

Pai e filho teriam atuado em dois empreendimentos investigados pelo MPF no âmbito da Circus Maximus: a construção do LHS Lifestyle Hotel, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro; e o edifício Praça Capital, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), em Brasília.

Circus Maximus
A operação, conduzida pela força-tarefa da Greenfield, do MPF, apura irregularidades no BRB envolvendo fundos de investimentos. As investigações apontam para um prejuízo de, aproximadamente, R$ 348 milhões ao banco, a participantes dos fundos de pensão e regimes de previdência, poupadores e ao sistema financeiro nacional. Só em propinas, teriam sido pagos R$ 40 milhões.

No último dia 12, o Ministério Público ofereceu denúncia contra 17 pessoas. Caso a 10ª Vara da Justiça Federal aceite a acusação, os acusados responderão por crimes contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta, entre outros.

Além da condenação dos envolvidos, o MPF pede o confisco de valores, bem como uma indenização correspondente ao triplo das quantias desviadas por cada um, a fim de satisfazer os danos materiais, morais e sociais causados.

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