Golpista de Águas Claras dá calote de R$ 500 mil em investidores

Um idoso de 71 anos, apenas uma das vítimas, perdeu parte das economias de uma vida inteira: pouco mais de R$ 217 mil em três contratos

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 16/11/2019 14:19

Um negócio lucrativo, em que o cliente embolsaria até 22% de juros sobre o valor investido. A promessa servia como isca para movimentar um esquema fraudulento de criptomoedas investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal. O proprietário de uma empresa especializada nas transações financeiras é alvo de inquérito instaurado pela Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor (Corf) e deixou rastro de prejuízo estimado em R$ 500 mil. Um idoso de 71 anos, apenas uma das vítimas, perdeu parte das economias de uma vida inteira: R$ 217 mil.

De acordo com as investigações, o operador financeiro e empresário Marcos Fábio Pereira de Araújo, 41 anos, atraía vítimas que procuravam investir em negócios que garantissem boa rentabilidade. O estelionatário era proprietário da BitmoneyGo Intermediação e Agenciamento de Serviços e Negócios, em Águas Claras. Aos clientes, Marcos garantia um retorno de até 22% sobre o valor investido em moedas virtuais, como as bitcoins. “Ele prometia devolver os juros com apenas um mês de investimento, o que nunca ocorreu com nenhum cliente”, explicou o delegado Miguel Lucena, que preside a investigação.

No rol de vítimas está um idoso que celebrou três contratos com o falso operador financeiro, ainda em outubro de 2018. Na delegacia, já em julho deste ano, ele contou ter sido seduzido pela proposta supostamente vantajosa. “O operador ofereceu um rendimento nos seguintes termos: o valor investido dobraria no intervalo de tempo de um bimestre. A transação funcionaria por meio da compra de bitcoins”, disse, em depoimento.

Reprodução
Marcos Fábio Pereira é apontado por uma série de vítimas como um golpista que atua no mercado de criptomoedas
Contratos assinados

O idoso chegou a assinar três contratos com o golpista e realizou transferências bancárias que totalizaram R$ 217,5 mil. Segundo o relato da vítima, o golpista foi procurado diversas vezes para pagar tanto os juros quanto os valores totais do investimento. No entanto, nenhum pagamento foi feito. “O suspeito costuma afirmar que vai dividir as parcelas do pagamento em vários meses, mas nunca efetua os depósitos bancários”, explicou o delegado Miguel Lucena.

O operador financeiro também fez vítimas recentemente. Em outubro deste ano, uma mulher de 41 anos chegou a perder um veículo após aceitar participar da carteira de investimentos do golpista. Ela repassou o carro, avaliado em R$ 24 mil, e mais R$ 1 mil por meio de transferência bancária para o estelionatário. Em contrapartida, Marcos Fábio afirmou que ela receberia 22% de juros sobre o valor investido, em um prazo de 30 dias – o que jamais ocorreu. Após cobranças insistentes, o golpista transferiu apenas R$ 150 para ela.

Uma terceira vítima do homem também amargou prejuízo ao perder um automóvel. Em setembro, o autônomo de 29 anos transferiu o bem, avaliado em R$ 23 mil, a duas pessoas indicadas pelo estelionatário. O discurso foi o mesmo para enganar todos os outros clientes: juros de 22% de lucro. “Desta vez, essa vítima foi atraída por outro homem, que a convenceu a investir após dizer que Marcos Fábio havia ficado milionário e estaria morando no Estados Unidos, apenas retornado ao Brasil para abrir a empresa de investimentos”, disse o delegado.

Empresa fechada

Policias da Corf foram até a empresa e procuraram pelo criminoso. A corretora de investimentos BitmoneyGo, que deveria funcionar em um prédio comercial na Avenida Pau Brasil, em Águas Claras, não existe mais. De acordo com as apurações da Polícia Civil, a empresa foi fechada após os golpes. Os investigadores não conseguiram localizar Marcos Fábio em nenhum dos endereços nos quais ele já havia morado.

Ao conversarem com um parente do suspeito, os agentes foram informados de que ele teria deixado o Brasil e ido passar uma temporada com uma irmão que vive no estado da Flórida, nos Estados Unidos. “Mesmo longe do país, o inquérito está em andamento, e o acusado deverá ser indiciado e ter a prisão expedida pela Justiça. Caso volte ao Brasil, poderá ser preso”, finalizou Miguel Lucena.

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