Condenados em esquema do Kriptacoin são alvo de nova investigação

Denúncia do Ministério Público do DF e Territórios alega que dinheiro obtido de forma ilícita era usado para comprar carros de luxo

atualizado 08/03/2019 15:28

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Condenados por crimes relacionados ao esquema de pirâmide financeira organizado pela empresa de moedas virtuais Kriptacoin, quatro membros da organização criminosa responderão a uma nova denúncia por lavagem de dinheiro. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) alega que o grupo adquiriu veículos de luxo com recursos de clientes lesados pelo golpe.

São investigados no esquema Cezar da Silva, Uélio Alves de Souza, Wellington Junior Alves Santana, Wendel Alves Santana e Fernando Ewerton. De acordo com a denúncia, eles teriam pago os carros por meio de contas bancárias abertas com documentos falsos.

Conforme o argumento de defesa, a aquisição dos veículos constituiu um “mero proveito econômico da infração penal do esquema e não crime de lavagem de dinheiro”. Os investigados alegam ainda não ter havido ocultação ou dissimulação da origem dos valores usados para pagamento.

A partir da análise da quebra de sigilo bancário e relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a investigação concluiu que os carros foram colocados em nome das mulheres dos acusados, que não possuíam rendimentos, nem meios próprios para a aquisição dos automóveis. De acordo com o MPDFT, a manobra seria utilizada como meio para ocultar a origem e destino do patrimônio adquirido ilicitamente e torná-lo um ativo lícito e não rastreável.

Veja alguns veículos apreendidos na operação que desarticulou o esquema:

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Vida de luxo
A quadrilha foi desarticulada em outubro de 2017 acusada de movimentar R$ 250 milhões e de ter lesado 40 mil pessoas em Goiânia e no Distrito Federal. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentação do grupo nas regiões Sudeste e Nordeste.

Em abril de 2018, o juiz da 8ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) Osvaldo Tovani determinou a venda dos 21 veículos apreendidos com os responsáveis pela moeda virtual. O juiz expediu ainda mandado para apreensão de um helicóptero da empresa. Treze pessoas da quadrilha foram condenadas por lucrar com o esquema fraudulento.

Os acusados de coordenar as vendas do produto da Wall Street Corporate ostentavam uma vida de luxo, com carros de valores milionários, roupas de marca e joias. Entre os automóveis apreendidos no âmbito da Operação Patrick, estão: uma Lamborghini Huracan, três Porsches, duas BMWs e uma Ferrari. Em um semestre, a organização criminosa teria movimentado R$ 250 milhões, segundo os investigadores.

Carro importado e helicóptero apreendidos

 

Relembre o caso
Os acusados criaram a moeda virtual no fim de 2016 e passaram a convencer investidores a aplicarem dinheiro na Kriptacoin. Segundo a polícia, a organização criminosa atuava por meio de laranjas, com nomes e documentos falsos.

O negócio, que funcionava em esquema de pirâmide, visava, segundo as investigações, apenas encher o bolso dos investigados, alguns com diversas passagens pela polícia, por uma série de crimes. Entre eles, o de estelionato. A fraude pode ter causado prejuízo a 40 mil investidores, muitos deles de fora do Distrito Federal.

Os envolvidos foram denunciados pelo Ministério Público por organização criminosa, falsificação de documentos e criação de pirâmide financeira.

Quem é quem?
Uélio Alves de Souza: constituiu a empresa Kripta Coin Investimento em Tecnologia Ltda. – ME, com sede em Goiânia (GO), com nome fictício (Hélio Xavier Gomes). Condenado a 7 anos e 8 meses de pena privativa de liberdade, além de 397 dias-multa, por crime contra a economia popular, falsidade ideológica e organização criminosa. Em razão da reincidência e da quantidade da pena, o regime prisional inicial será fechado.

Wellington Junior Alves Santana: constituiu a empresa WSC Brazil Investimentos em Tecnologia da Informação Eireli – ME, com sede em Goiânia (GO), com nome fictício (Wellington Souza Ramalho), cuja conta bancária foi utilizada para recebimento de depósitos de investidores. Também constituiu a empresa Royal Family Academy Eirelli – ME. Condenado a 11 anos e 2 meses de pena privativa de liberdade, além de 416 dias-multa, por crime contra a economia popular, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em razão da reincidência e da quantidade da pena, o regime prisional inicial será fechado.

Wendel Alves Santana: constituiu a empresa Kripta Coin Investimento em Tecnologia Ltda. – ME, com sede em Goiânia (GO), com nome fictício (Wendell Pires Alencar), além disso, disponibilizou conta bancária, também com nome falso, para movimentação do produto do crime. Condenado a 11 anos de pena privativa de liberdade, além de 403 dias-multa, por crime contra a economia popular, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em razão da quantidade da pena, o regime prisional inicial será fechado.

Fernando Ewerton César da Silva: era sócio-proprietário da filial Kriptacoin em Goiânia (GO). Condenado a 5 anos e 6 meses de pena privativa de liberdade, além de 380 dias-multa, por crime contra a economia popular e organização criminosa. Em razão da reincidência e da quantidade da pena, o regime prisional inicial será fechado.

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