Tácio Lorran

Deputado do PL manda R$ 490 mil a ONGs de parentes de seus assessores

Repasse ocorreu por meio de emendas parlamentares indicadas ao Orçamento da União pelo deputado Gilvan da Federal

atualizado

metropoles.com

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Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
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1 de 1 gilvan-da-federal - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES) mandou emendas a duas ONGs presididas por parentes de assessores lotados em seu gabinete, o que é vedado por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. O valor indicado pelo parlamentar em benefício dessas entidades ao Orçamento de 2025 é de R$ 490 mil.

O Instituto Construindo Vencedores, destino de R$ 294 mil, é presidido pela esposa do assessor Alessandro Oliveira da Luz. Para viabilizar o repasse, a entidade firmou termo de fomento com o Ministério do Esporte para implementação de projeto de artes marciais em Cariacica (ES).

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Deputado Gilvan da Federal (PL-ES) no Conselho de Ética da Câmara
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Antes de ser presidida pela esposa do assessor, a ONG, conforme documentos remetidos ao Ministério do Esporte, já foi comandado por Agnaldo da Silva Góes, que também é assessor de Gilvan da Federal, e teve Alessandro na vice-presidência.

Já o Instituto Góes Fernandes foi beneficiado com emenda parlamentar de R$ 196 mil. A ONG firmou termo de fomento com o Ministério do Esporte que prevê a realização de projeto de artes marciais em Serra (ES), nas modalidades de Jiu-Jitsu e Muay Thai.

O atual presidente do Instituto Góes Fernandes é Marinesio Fernandes da Silva, cunhado do assessor parlamentar Agnaldo da Silva Góes.

Em janeiro deste ano, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu a destinação e execução de emendas em favor de entidades do terceiro setor que tenham, em seus quadros diretivos e administrativos, parentes de deputado responsável pela indicação da emenda ou de assessor parlamentar a ele vinculado.
Ministro Flávio Dino cobrou ações do governo

A coluna questionou o Ministério do Esporte sobre a decisão, uma vez que o pagamento ao Instituto Construindo Vencedores ocorreu em fevereiro de 2026, portanto, após a decisão de Flávio Dino.

Em nota, o Ministério do Esporte afirmou que cumpre com rigor toda determinação da Justiça. “No caso em questão, a instrução processual da parceria é realizada com base nos documentos oficiais e nas autodeclarações prestadas pela entidade à Plataforma Transferegov.br, as quais possuem presunção de legitimidade e veracidade, sem prejuízo da atuação dos órgãos de controle e fiscalização competentes”, ressaltou.

A pasta destacou que cabe a ela verificar a regularidade jurídica, fiscal e estatutária da entidade, e a sua capacidade operacional para a execução das políticas públicas de esporte, lazer e inclusão social. “O Ministério do Esporte reafirma seu compromisso com os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, transparência e controle na aplicação dos recursos públicos federais”, completou.

Entidade defende repasse

Em nota, a presidente do Instituto Construindo Vencedores, Samantha Fregapani, afirmou que o projeto existe desde 2021, sempre com recursos próprios e muito esforço da equipe envolvida. Segunda ela, o trabalho é voltado ao atendimento gratuito de crianças e adolescentes, oferecendo atividades esportivas, sociais e educativas.

“A ajuda recebida por meio da emenda parlamentar veio em ótima hora e tem sido muito importante para ampliar e fortalecer as ações já realizadas pelo instituto. Os recursos ajudam diretamente na manutenção e expansão das atividades gratuitas oferecidas às crianças, com o pagamento de professores, monitores e assistente social”, destacou.

Samantha afirmou ainda que a verba também auxilia na compra de equipamentos e materiais essenciais para a prática esportiva, como kimonos, luvas de luta, bandagens, capacetes e demais itens necessários para o treinamento seguro e adequado das crianças e adolescentes atendidos pelo projeto.

A coluna tentou contato com o deputado Gilvan da Federal e com o Instituto Goes Fernandes, mas não houve retorno. O espaço segue aberto.

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