
Manoela AlcântaraColunas

Mario Frias responde a Flávio Dino sobre emendas para Dark Horse
Segundo o parlamentar, não há nos autos uma prova sequer sobre repasses ao filme que conta história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
atualizado
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O deputado federal Mario Frias (PL) respondeu ao questionamento do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre suspeitas do parlamentar ter destinado emendas parlamentares à organização não governamental (ONG) Instituto Conhecer Brasil, ligada à produção do filme Dark Horse, que retrata a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2018.
Segundo denúncia analisada pelo STF, Mario Frias teria destinado R$ 2 milhões à ONG. Dino tenta intimar Frias para uma explicação há mais de um mês. O oficial de Justiça não conseguiu encontrá-lo no gabinete. Depois de o ministro do STF pedir que Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, explicasse por que Frias estava fora do país, o parlamentar afirmou pelas redes sociais que falaria com Dino nesta segunda-feira (25/5).
A explicação foi encaminhada a Dino em ação que analisa a transparência de legalidades das emendas parlamentares. No documento assinado pelos advogados de Mario Frias, a tese de repasse, via ONG, ao filme Dark Horse é “insustentável”.
“A denunciante sustenta, em sua petição, que os recursos públicos das emendas parlamentares do deputado Mário Frias teriam sido “triangulados” para financiar a produção do filme privado “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Tal afirmação é absolutamente falsa, desprovida de qualquer lastro probatório e difamatória”, diz explicação encaminhada a Dino nos autos que correm no STF.
Segundo a defesa de Frias, a Nota Técnica nº 195/2026 da CONOF, acolhida integralmente pela Advocacia da Câmara, não identificou qualquer vínculo entre as emendas parlamentares em questão e a produção cinematográfica “Dark Horse”.
“As transferências foram realizadas para projetos sociais específicos, devidamente registrados e rastreáveis no Transferegov, com objetos claros e distintos de qualquer atividade cinematográfica privada”, disse.
Mario Frias ainda ressaltou que “não há, nos autos, uma única prova sequer de que esses recursos tenham sido desviados para qualquer produção cinematográfica. A alegação é puramente especulativa e baseada em uma suposta associação ilícita entre pessoas jurídicas que, segundo a denunciante, “compartilham endereço” — argumento frágil, insuficiente e juridicamente irrelevante para sustentar qualquer irregularidade”, alegou.
Assim, Frias pede o “imediato arquivamento” da petição assinada pela deputada Tabata Amaral, “por absoluta ausência de justa causa e de fundamentação idônea”.
Veja o post no X no qual Mario Frias diz que responderá a Dino quando chegar ao Brasil:
Prezado Ministro Flávio Dino, soube pela imprensa que o senhor gostaria de algumas informações a meu respeito. Estou em agenda oficial, com conhecimento do meu presidente Hugo Mota. Chegarei ao Brasil dia 25 de maio, desde ja me colocando a disposição de Vossa Excelencia, para…
— MarioFrias (@mfriasoficial) May 21, 2026
Repasses
Dino tentou intimar Mario Frias por diversas vezes. A última tentativa de intimação partiu de ação da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que requisita a apuração de repasses de emendas parlamentares para o que classificou como um “ecossistema de pessoas jurídicas interconectadas”.
Segundo a denúncia, Mario Frias – que, além de parlamentar, é produtor-executivo do filme – repassou valores oriundos de emendas parlamentares à ONG Instituto Conhecer Brasil.
São questionados repasses às seguintes ONGs:
- Instituto Conhecer Brasil;
- Academia Nacional de Cultura;
- Go Up Entertainment; e
- Conhecer Brasil Assessoria.
Segundo a denúncia de Tabata ao STF, todas essas organizações estariam sob comando de Karina Ferreira da Gama, produtora cultural ligada à produção do filme Dark Horse.
O ministro Flávio Dino, relator da ação, decidiu intimar os deputados federais Mario Frias, Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS). A decisão é do dia 21 de março, no âmbito da ADPF 854.
De acordo com a denúncia, a ONG Academia Nacional de Cultural também teria recebido cerca de R$ 2,6 milhões de parlamentares, como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon.
O filme Dark Horse entrou na pauta novamente após a divulgação de um áudio do senador Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência, no qual ele cobra dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para a produção do filme.