Terapia hormonal pode provocar queda na libido de mulheres trans
Devido à terapia hormonal, influenciadora Maya Massafera revelou que tem sofrido com queda na libido. Médica explica sintomas e cuidados

Recentemente, a influenciadora Maya Massafera contou que tem lidado com queda na libido, um efeito direto da terapia hormonal. Segundo ela, a rotina da transição de gênero inclui bloqueadores de hormônios masculinos pela manhã e uso de hormônios femininos à noite, o que reduz drasticamente o desejo sexual.

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Ver todasPara desvendar o tema, a coluna Pouca Vergonha conversou com a ginecologista Elisabete Lilian. De acordo com a especialista, trata-se de um efeito completamente esperado em mulheres trans que fazem terapia hormonal — que tem como base o estrogênio associado a bloqueadores de testosterona.
Saiba mais sobre o tema
“A testosterona tem papel importante na libido tanto para homens quanto para mulheres. Quando reduzimos os níveis, é comum haver uma queda no desejo sexual, principalmente nos primeiros três a seis meses”, explica. Ela ainda reforça que, além de não significar falha na terapia, fatores emocionais ligados à transição também têm influência.
Em contrapartida, Elisabete afirma que, embora comum, o efeito não é uma regra geral, variando de pessoa para pessoa.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Algumas relatam pouca ou nenhuma diferença. Em alguns casos pode ocorrer até mesmo um aumento após o período de adaptação e maior conforto com o próprio corpo”, destaca.

“Os principais fatores que influenciam são: os níveis hormonais atingidos; o tipo e a dose das medicações, especialmente os bloqueadores de testosterona; idade; saúde mental; qualidade do sono; ansiedade; depressão; autoestima; aceitação corporal; qualidade dos relacionamentos e, de forma muito relevante, a redução da disforia de gênero”, elenca a docente da Universidade de Franca (Unifran).
Avisos importantes
Ainda assim, a médica alerta que a investigação torna-se necessária quando a queda é persistente e causa sofrimento significativo.
Outros sintomas como fadiga extrema, alterações de humor e presença de dor na relação sexual também devem ser observados.

Para reduzir o efeito, segundo ela, é essencial manter acompanhamento profissional, o que permite ajustar doses, revisar o esquema terapêutico e corrigir alterações hormonais sem comprometer os objetivos da paciente. “O acompanhamento regular é essencial para garantir segurança e eficácia em todo o processo”, salienta.
Por último, Elisabete orienta que, antes mesmo de iniciar o tratamento, é importante ter noção desse possível efeito. “Saber que essa possibilidade existe reduz a ansiedade e ajuda a entender que a adaptação faz parte. Também é fundamental lembrar que a sexualidade pode se transformar, a libido pode ser diferente dependendo da fase da vida que a mulher se encontra, seja cis, seja trans”, conclui.















