Paulo Cappelli

Governo Lula vê blefe em tarifa de Trump e acredita em recuo

Para ministros, objetivo do blefe é pressionar Lula e o STF a recuarem das acusações a Bolsonaro e adoção de moeda alternativa pelo Brics

atualizado

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1 de 1 O presidente Lula -- Metrópoles - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Integrantes do primeiro escalão do governo Lula acreditam que a taxação de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada por Donald Trump para entrar em vigor em 1º de agosto, seja um blefe do presidente dos Estados Unidos.

A intenção seria pressionar o STF a recuar no julgamento de Bolsonaro e fazer Lula rever a posição do Brasil em relação ao conflito no Oriente Médio e na defesa de uma moeda alternativa ao dólar no comércio entre países do Brics.

Ministros com assento no Palácio do Planalto ouvidos pela coluna avaliam que o anúncio dos Estados Unidos é um instrumento de pressão e que as taxas não entrarão em vigor — ao menos não nos moldes divulgados — a partir do mês que vem.

“Já tivemos exemplo disso. Trump anunciou taxas à China em abril e, logo depois, recuou. Ele faz esses movimentos para ver como as pessoas reagem”, disse um auxiliar de Lula à coluna.
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Jair Bolsonaro é acusado de tentativa de golpe de Estado em 2022
Ministros de Lula avaliam que tarifas de Trump são blefe para pressionar o país
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Ministros de Lula avaliam que tarifas de Trump são blefe para pressionar o país
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Em abril, Donald Trump anunciou taxas de 145% à China. Dias depois, as tarifas caíram para 55%, sendo que 25% eram oriundas de impostos fixados ainda no primeiro mandato de Trump.

Na negociação com a China, a exploração e o processamento de minérios raros pesaram a favor do lado asiático. O país possui a maior reserva mundial desses recursos, seguido pelo Brasil.

Em resposta à ameaça de taxação, os chineses proibiram a exportação desses minérios aos EUA, incluindo o neodímio, essencial para a indústria de tecnologia.

O elemento é usado na fabricação de ímãs presentes em fones de ouvido, armas e, principalmente, veículos. A reação causou pânico no setor industrial norte-americano.

Resposta do Brasil

Na quarta-feira (9/7), o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, deu o tom da resposta brasileira à taxação. Segundo ele, o Brasil é um dos poucos países com os quais os EUA mantêm superávit comercial.

“Ora, quem assessora o sr. Trump? Os dados mostram o contrário: desde 2009, os EUA têm superávit comercial com o Brasil. Nosso país importou US$ 88,6 bilhões a mais do que exportou. O Brasil é um dos poucos países do mundo com quem os EUA têm superávit comercial”, afirmou o parlamentar à coluna.

“A balança comercial brasileira com os EUA está em déficit desde 2009. Ou seja, ao longo dos últimos 16 anos, o Brasil compra muito mais do que vende para os EUA. O relacionamento comercial é marcado pela predominância da economia norte-americana, segundo números da série histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Informe-se melhor, Mr. Trump”, disse o deputado.

Lei da Reciprocidade

A resposta de Lula a Trump passa pela legislação brasileira que permite adoção de medidas diante de tarifas hostis ou barreiras comerciais impostas por outros países — a Lei da Reciprocidade.

O dispositivo prevê a aplicação de tarifas adicionais, suspensão de concessões comerciais e até o descumprimento de obrigações relativas à propriedade intelectual.

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