Mirelle Pinheiro

Por que postos de combustíveis viraram alvo estratégico do PCC

A investigação também aponta o uso de parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos como laranjas

atualizado

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Por que postos de combustíveis viraram alvo estratégico do PCC
1 de 1 Por que postos de combustíveis viraram alvo estratégico do PCC - Foto: Arte/Metrópoles

O avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC) sobre o mercado de combustíveis deixou de ser apenas uma suspeita isolada e passou a ser tratado pelas autoridades como uma estratégia financeira sofisticada da facção para lavar dinheiro, ocultar patrimônio e ampliar poder econômico.

A avaliação ganhou força após a nova fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28/5) pelo Ministério Público de São Paulo, Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e outros órgãos de fiscalização.

Segundo os investigadores, postos de combustíveis se tornaram fundamentais para o crime organizado porque movimentam grandes volumes de dinheiro diariamente, possuem operações complexas e permitem misturar recursos lícitos e ilícitos com relativa facilidade.

As investigações apontam que a facção utilizava distribuidoras, postos, fintechs e fundos de investimento para criar uma engrenagem financeira paralela capaz de ocultar a origem do dinheiro.

Uma das principais vantagens do setor para o crime organizado, segundo investigadores, é a alta circulação financeira. O fluxo intenso de pagamentos dificulta o rastreamento de valores suspeitos e permite mascarar recursos provenientes do crime em operações aparentemente regulares.

Além disso, o mercado de combustíveis também é historicamente vulnerável a fraudes tributárias, adulteração de produtos e uso de empresas de fachada.

Nesta nova fase da operação, o Gaeco identificou mais seis fintechs suspeitas de funcionar como “bancos paralelos” da organização criminosa. Segundo a investigação, essas plataformas eram usadas para compensações financeiras internas entre distribuidoras, postos e empresas ligadas ao esquema.

Os investigadores afirmam que o grupo também utilizava fundos de investimento para esconder os verdadeiros beneficiários das movimentações financeiras.

Outra frente da investigação revelou um esquema de desvio de nafta petroquímica, solvente derivado do petróleo, usado na adulteração de combustíveis.

Segundo o Ministério Público, empresas fantasmas eram abertas em vários estados do país para simular compras legais do produto. Na prática, porém, a nafta acabava desviada para abastecer postos e terminais clandestinos na Grande São Paulo.

A investigação também aponta o uso de parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos como laranjas para abertura de empresas e movimentação financeira.

Nesta fase da Operação Fluxo Oculto, a Justiça autorizou 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.

As investigações também miram quatro fundos de investimento suspeitos de participação no esquema. Juntos, eles possuem patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões. Segundo o Ministério Público, o crescimento desses fundos ultrapassou 200% em pouco mais de um ano.

 

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