
Mirelle PinheiroColunas

Carbono Oculto: PCC criou “bancos paralelos” para lavar dinheiro
A investigação aponta que o grupo criminoso criou uma espécie de rede de “bancos paralelos” utilizando fintechs
atualizado
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O Ministério Público de São Paulo identificou sofisticado sistema financeiro clandestino supostamente usado pelo PCC para movimentar e ocultar milhões de reais obtidos com fraudes, adulteração de combustíveis e sonegação fiscal. A estrutura foi revelada na nova fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28/5) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), pela Receita Federal e por outros órgãos de fiscalização.
A investigação aponta que o grupo criminoso criou uma espécie de rede de “bancos paralelos” utilizando fintechs, fundos de investimento e empresas de fachada para manter o dinheiro circulando longe do sistema bancário tradicional e dificultar o rastreamento pelas autoridades.
Ao todo, foram cumpridos 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. Os alvos são empresários, operadores financeiros, laranjas e pessoas ligadas ao setor de combustíveis.
Segundo os investigadores, mesmo após operações anteriores, o esquema continuou funcionando por meio da abertura de novas empresas, troca de integrantes dos quadros societários e migração constante de recursos entre fintechs.
O Gaeco afirma ter identificado pelo menos seis fintechs utilizadas para operar o fluxo financeiro da organização. Essas plataformas, segundo a investigação, eram usadas para compensações internas entre distribuidoras, postos de combustíveis, empresas ligadas ao grupo e fundos de investimento utilizados para ocultação patrimonial.
Na prática, as fintechs funcionariam como um sistema bancário informal da organização criminosa.
As investigações apontam ainda que dezenas de postos de combustíveis passaram a concentrar movimentações em poucas contas bancárias, numa tentativa de dificultar auditorias fiscais e mascarar a origem dos recursos.
Outro braço da investigação envolve o desvio de nafta petroquímica, solvente derivado do petróleo, para adulteração de combustíveis na Grande São Paulo. Segundo o Ministério Público, empresas fantasmas eram abertas em vários estados para simular compras legais do produto, que acabava sendo desviado para abastecer o mercado clandestino.
A estrutura investigada também utilizaria pessoas em situação de vulnerabilidade, parentes e até presos como laranjas para abertura de empresas e movimentação financeira.
O Ministério Público afirma que o esquema mantinha uma engrenagem altamente profissionalizada de lavagem de dinheiro, usando alterações societárias frequentes, fintechs e fundos de investimento para esconder os verdadeiros beneficiários das operações.
Quatro fundos investigados possuem patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões. Segundo os investigadores, o volume financeiro cresceu mais de 200% em pouco mais de um ano.
Para os órgãos de investigação, a operação representa avanço no mapeamento do “ecossistema financeiro” utilizado pelo crime organizado para sustentar atividades ilícitas e ampliar o poder econômico da facção.
Entre os investigados apontados como líderes da estrutura, estão Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”.