Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mirelle Pinheiro

Carbono Oculto: PCC usava presos como donos de empresas de fachada

O grupo abria empresas em diferentes estados do país utilizando laranjas para mascarar os beneficiários reais do esquema

28/05/2026 07:29
Divulgação/Receita Federal
Imagem colorida mostra viaturas em operação contra esquema do PCC. Metrópoles

A nova fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28/5), apontou que o esquema investigado pelo Ministério Público de São Paulo utilizava até presos e pessoas em situação de vulnerabilidade social como donos de empresas abertas para movimentar dinheiro ligado ao crime organizado.

Segundo o Gaeco, as empresas eram usadas para ocultar patrimônio, simular operações comerciais e dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis pelas movimentações financeiras milionárias envolvendo o setor de combustíveis.

A ação cumpre 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. A investigação mira um esquema suspeito de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis com suposta ligação com o PCC.

De acordo com os investigadores, i. Entre os nomes usados para registrar companhias estariam parentes de integrantes da organização, pessoas vulneráveis e até detentos.

A investigação aponta que essas empresas de fachada eram usadas principalmente para simular a compra de nafta petroquímica, um solvente derivado do petróleo, que acabaria desviado para a adulteração de combustíveis.

Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle Pinheiro

Segundo o Ministério Público, a estrutura criminosa funcionava de forma altamente organizada, com operadores financeiros responsáveis por abrir empresas, movimentar recursos e alterar quadros societários sempre que algum CNPJ passava a ser alvo das autoridades.

As apurações também identificaram o uso de fintechs e fundos de investimento como ferramentas para ocultar dinheiro e dificultar o rastreamento das operações financeiras.

Para os investigadores, o esquema ia além da fraude tributária e da adulteração de combustíveis. O objetivo seria criar uma engrenagem financeira capaz de sustentar atividades do crime organizado por meio de lavagem de dinheiro em larga escala.

O Ministério Público afirma que o modelo permitia que os verdadeiros operadores permanecessem escondidos enquanto empresas eram constantemente substituídas para manter o fluxo financeiro ativo sem chamar atenção dos órgãos de controle.

Entre os investigados apontados como líderes da estrutura estão Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”.