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Mirelle Pinheiro

Polícia prende esposa de Rabicó, chefe do CV, em operação no Rio.

A mulher foi presa em operação deflagrada nesta sexta (29/5) que mira núcleo financeiro do CV e apura lavagem de mais de R$ 453 milhões

29/05/2026 08:53, atualizado 29/05/2026 08:58
Material cedido ao Metrópoles
Polícia prende esposa de Rabicó, chefe do CV, em operação no Rio

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) prendeu, nesta sexta-feira (29/5), Raquel Neves dos Santos Mendonça, companheira de Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho e responsável por administrar a engrenagem financeira da organização criminosa.

A prisão ocorreu durante a Operação Contenção, deflagrada para atingir o núcleo financeiro da facção, apontado como responsável por lavar mais de R$ 453 milhões provenientes do tráfico de drogas.

Até o momento, 17 investigados foram presos. Os mandados são cumpridos em diversas cidades do Rio de Janeiro e também nos estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão.

O esquema

Segundo as investigações, o esquema era liderado por Antônio Ilário Ferreira, o “Rabicó”, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho e responsável pela gestão da engrenagem financeira da organização criminosa. Entre os presos nesta sexta-feira (29) está sua companheira, Raquel Neves dos Santos Mendonça.

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De acordo com a Polícia Civil, “Rabicó” atuava como uma espécie de tesoureiro da facção, coordenando empresas de fachada, movimentações bancárias, ocultação patrimonial e a utilização de terceiros para disfarçar a origem dos recursos.

As investigações indicam que empresas ligadas aos setores de reciclagem e comércio de sucatas desempenhavam papel central no esquema. Segundo os policiais, milhões de reais eram transferidos entre empresas e pessoas físicas para dificultar o rastreamento dos valores.

Os investigadores identificaram ainda o uso de contas bancárias de passagem, depósitos fracionados em espécie, emissão de notas fiscais falsas e intensa circulação de recursos entre empresas controladas pelo grupo.

A DRE-CAP também encontrou indícios de receptação qualificada e de aquisição de materiais de origem suspeita. Durante monitoramentos, equipes da especializada localizaram áreas utilizadas para a queima clandestina de cabos de cobre e estabelecimentos ligados ao operador financeiro investigado.

Segundo a Polícia Civil, a movimentação de mais de R$ 453 milhões foi identificada a partir de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), além de análises bancárias, quebras de sigilo fiscal, telefônico e telemático, e do cruzamento de dados patrimoniais.

A operação contou com apoio de diversas unidades da Polícia Civil e da Polícia Militar, incluindo a Core, o Bope e departamentos especializados.