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Mirelle Pinheiro

PCDF mira esquema de propina e fraudes milionárias no BRB

A investigação aponta a atuação de correspondentes bancários, gerentes do banco e operadores financeiros suspeitos

28/05/2026 07:37, atualizado 28/05/2026 08:24
PCDF/Divulgação
PCDF mira esquema de propina e fraudes milionárias no BRB

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (28/5), a Operação Crédito Corrompido para desmontar um esquema suspeito de fraudes em empréstimos consignados e liberação irregular de créditos milionários dentro do Banco de Brasília (BRB).

A ação é coordenada pela Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCor), com apoio da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep) do MPDFT e das Polícias Civis de São Paulo e do Rio de Janeiro (PCERJ).

A investigação aponta a atuação de correspondentes bancários, gerentes do banco e operadores financeiros suspeitos de integrar uma estrutura criminosa voltada à falsificação de documentos, desvio de dinheiro e pagamento de propina.

Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 1 milhão ligados a um gerente investigado por suspeita de lavagem de dinheiro por meio de empresa de fachada.

Segundo a Polícia Civil, as apurações começaram após o próprio BRB identificar movimentações suspeitas em operações de empréstimos consignados.

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O banco informou que correspondentes bancários conhecidos como “pastinhas” abordavam clientes em grupos de redes sociais se passando por assessores da instituição financeira.

Os alvos principais eram professores temporários e pessoas sem perfil aprovado para contratação de empréstimos. Para conseguir liberar os créditos, o grupo utilizava contracheques falsificados enviados diretamente a gerentes envolvidos no esquema.

De acordo com a investigação, após o dinheiro cair na conta das vítimas, parte dos valores era repassada ao grupo criminoso como “comissão”. Em alguns casos, os próprios gerentes desviavam recursos das contas dos clientes para integrantes da organização.

Com o avanço das investigações, a PCDF descobriu uma segunda frente do esquema envolvendo empréstimos de valores milionários liberados mediante pagamento de propina a gerentes do BRB.

Segundo os investigadores, operadores financeiros atuavam em parceria com funcionários da instituição para aprovar grandes operações de crédito em troca de vantagens ilícitas.

A Polícia Civil dividiu a estrutura investigada em diferentes núcleos criminosos. Um deles era formado pelos “pastinhas”, responsáveis por captar clientes, falsificar documentos e negociar diretamente com gerentes do banco. Outro núcleo atuava como intermediário entre os correspondentes e os funcionários do BRB.

As investigações também apontam a existência de gerentes responsáveis por liberar empréstimos irregulares para clientes inelegíveis, além de operadores financeiros suspeitos de pagar propina para facilitar créditos milionários.

Segundo a PCDF, as diligências desta fase buscam fortalecer provas relacionadas aos crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, estelionato contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Somadas, as penas podem chegar a 30 anos de prisão.