Mirelle Pinheiro

Como jacarés gigantes passaram a viver em esgotos do Rio de Janeiro. Veja vídeo

Vídeos que mostram jacarés-de-papo-amarelo nadando tranquilamente nas águas contaminadas de esgotos que correm a céu aberto têm viralizado

atualizado

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Reprodução/Web
Jacarés no RJ
1 de 1 Jacarés no RJ - Foto: Reprodução/Web

Nas últimas semanas, viralizaram nas redes sociais vídeos que mostram jacarés de grande porte nadando tranquilamente em esgotos que correm a céu aberto em comunidades do Rio de Janeiro (RJ). Em um dos casos, atletas de parkour publicaram um registro saltando sobre uma vala onde vivem mais de oito animais. O vídeo alcançou cerca de 15 milhões de visualizações.

 

Nos comentários das postagens, internautas se disseram surpresos com a presença da espécie. Diante disso, a coluna ouviu Marcos Traad, zootecnista e diretor de Educação e Conservação da Biodiversidade do Grupo Cataratas, que atua no Bioparque do Rio. O especialista detalhou como os animais foram parar nesses locais e de que forma conseguem sobreviver em um ambiente considerado insalubre.

Segundo Traad, os jacarés observados nos vídeos são jacarés-do-papo-amarelo, espécie nativa da região. De acordo com ele, esses animais já habitam naturalmente os ecossistemas aquela área e circulam entre canais e espaços alagados.

“Eles transitam pelos canais e pela lagoa de Marapendi. Como habitam a região, acabam se reproduzindo nesses locais”, explicou.
Como jacarés gigantes passaram a viver em esgotos do Rio de Janeiro - destaque galeria
Os atletas viralizaram com o vídeo pulando a vala repleta de jacarés
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Os atletas viralizaram com o vídeo pulando a vala repleta de jacarés

Reprodução/Instagram

Riscos maiores

De acordo com Traad, o maior problema não são os jacarés. Ele ressaltou que a falta de saneamento básico pode ser muito mais prejudicial à saúde.

“O que é lamentável é a falta de infraestrutura de saneamento com o despejo de esgoto, o que não é um ambiente salubre nem para a população nem para os animais”, afirmou.

Apesar da repercussão dos vídeos e do temor demonstrado por internautas, o especialista avaliou que o risco direto à população é reduzido. Segundo ele, ataques são raros e geralmente ocorrem quando os animais são provocados ou surpreendidos.

“O risco aos cidadãos é muito pequeno. Eles podem reagir a uma passagem inadvertida ou quando são importunados. Do contrário, de forma direta, não há perigo para as pessoas”, explicou.

Ainda assim, o contato próximo com esses animais pode ser perigoso, principalmente em ambientes contaminados. Uma eventual mordida, além do trauma físico, pode resultar em infecções graves devido à presença de bactérias tanto na boca do animal quanto na água poluída.

Além disso, comportamentos como se aproximar demais, tentar filmar de perto ou realizar manobras arriscadas — como saltar sobre canais — podem estressar os animais e aumentar o risco de acidentes.

Retirada dos animais

O especialista destacou que a remoção dos jacarés não deve ser realizada por moradores ou curiosos. Segundo ele, esses animais são nativos e fazem parte do equilíbrio ecológico da região.

“O homem é que invadiu o espaço da fauna existente. Há de haver uma convivência comum, e o melhor caminho é a educação da população para não importunar os animais”, disse.

Quando há necessidade de retirada, a recomendação é acionar órgãos públicos capacitados para esse tipo de operação. Entre as instituições que podem atuar nesses casos estão o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar Ambiental, guardas municipais e órgãos ambientais locais, dependendo do município.

Para o especialista, o aumento de registros de jacarés em áreas urbanas está relacionado à expansão das cidades sobre ambientes naturais e à transformação de animais silvestres em fauna urbana. Ele reforçou que a convivência pacífica depende principalmente da conscientização da população.

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