Ceará ganha reforço federal de tecnologia contra facções em presídios
O estado ganha investimentos em tecnologia e capacitação de policiais penais para ampliar o controle sobre presídios estratégicos

O sistema prisional do Ceará passou a integrar o projeto Padrão Segurança Máxima (PSM), iniciativa do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, que visa o fortalecimento do combate às organizações criminosas dentro de presídios.
A ação reúne operações de inteligência, investimentos em tecnologia e capacitação de policiais penais para ampliar o controle sobre presídios considerados estratégicos.
As medidas, coordenadas pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com a Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização do Ceará (SAP), ocorreram em nove unidades prisionais selecionadas com base em critérios de inteligência. Os presídios fazem parte das 138 unidades contempladas pelo programa.
Como parte da operação, cerca de 150 policiais penais estaduais e federais participaram das operações Mute e Modo Avião, sendo que a primeira tem como objetivo localizar e retirar celulares e outros materiais ilícitos das unidades prisionais e a segunda utiliza tecnologia para identificar sinais de telefonia móvel dentro dos presídios, permitindo mapear áreas críticas e aperfeiçoar as estratégias de bloqueio de comunicações ilegais.
Equipamentos de reforço
Além das operações, as unidades começaram a receber equipamentos destinados ao reforço da segurança. Nesta primeira etapa, cada um dos nove presídios foi equipado com aparelhos de raio-X de alta tecnologia para fortalecer a fiscalização de pessoas, objetos e cargas que entram nas unidades.
Segundo a Senappen, o cronograma prevê novas entregas ao longo do segundo semestre de 2026. Entre os equipamentos previstos estão scanners corporais (body scan), georradares, drones, aparelhos portáteis de raio-X, câmeras de inspeção para espaços ocultos, sistemas de áudio e vídeo para parlatórios e 27 viaturas-cela.
Os investimentos fazem parte da primeira fase de modernização tecnológica do Padrão Segurança Máxima, que prevê aproximadamente R$ 324 milhões para fortalecer a segurança do sistema prisional em todo o país.
Para o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, o programa amplia a capacidade operacional dos estados sem interferir em sua autonomia. Segundo ele, o objetivo é levar às unidades estaduais protocolos, tecnologia e modelos de atuação já consolidados no Sistema Penitenciário Federal, fortalecendo o enfrentamento ao crime organizado.
O secretário da Administração Penitenciária do Ceará, Mauro Albuquerque, afirmou que os novos equipamentos representam um reforço importante para os policiais penais que atuam diariamente nas unidades e destacou que a integração entre o governo federal e o estado amplia a capacidade de combate às organizações criminosas.
O Padrão Segurança Máxima está estruturado em três eixos principais: inteligência e operações, modernização tecnológica e capacitação de servidores. A iniciativa busca fortalecer o controle prisional e reduzir a atuação de organizações criminosas a partir dos presídios, por meio da integração entre União e estados.




