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Mirelle Pinheiro

MP aponta que vereador era verdadeiro dono de empresa ligada ao PCC

Segundo apuração, Senival Moura exercia controle fático sobre a Transunião e teria a utilizado para movimentação de recursos

25/06/2026 11:05, atualizado 25/06/2026 11:08
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Reprodução
vereador Senival Moura (PT)

As investigações da Operação Última Parada, deflagrada nesta quinta-feira (25/6) pela Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo, apontam que o vereador de São Paulo Senival Pereira de Moura (PT) seria o “verdadeiro controlador” da concessionária Transunião Transportes S.A.

Segundo o documento obtido pela coluna, a conclusão é baseada na análise de comunicações telemáticas e em documentos apreendidos durante as diligências.

“De forma convergente, a análise contextualizada das comunicações telemáticas permite inferir que Senival Pereira de Moura, ao exercer controle fático da gestão empresarial e, sobretudo, sobre a estrutura financeira da companhia, figura como principal responsável pela instrumentalização da Transunião Transportes S.A. para operacionalização desse sistema financeiro clandestino voltado à circulação informal de recursos e ao suporte econômico de indivíduos inseridos na órbita do PCC”.

Entre os elementos reunidos pela investigação está um documento manuscrito apreendido na residência de Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão” e apontado como autor do homicídio de Adauto Soares — então presidente da concessionária, em 2020.

O material também apresenta compatibilidade com a dinâmica financeira clandestina identificada pelos investigadores ao longo da apuração.

Segundo o documento, houve um desvio de R$ 15 milhões ocorrido no âmbito da denominada “garagem”.

O valor, de acordo com a anotação, deveria ter sido destinado integralmente às chamadas “remissões”, expressão que, segundo a investigação, se refere a verbas destinadas aos acionistas da Transunião Transportes S.A., mas que não teriam sido repassadas aos destinatários.

Ainda conforme o manuscrito, Leonel Moreira Martins — apontado como operador financeiro — teria envolvimento nos fatos relacionados ao suposto desvio da “garagem”, sendo apontado como beneficiário de aproximadamente R$ 200 mil, montante que teria origem em recursos não repassados regularmente aos acionistas da empresa.

Outro trecho destacado pelos investigadores menciona que tais situações teriam sido reveladas pelo “Finado”, em referência a Adauto, assassinado em 2020.

Segundo o documento, o Adauto teria afirmado que apenas cumpria ordens de “Veio” e “Cabeça Branca”. Além disso, as investigações apontam que a partir do cruzamento de informações e características físicas dos envolvidos, os codinomes corresponderiam, respectivamente, a Senival Pereira de Moura e Leonel Moreira Martins.

Operação

Mais cedo, a operação resultou na prisão do vereador de São Paulo Senival Moura (PT), do presidente da concessionária de ônibus Transunião, Lourival de França Monário, além de outros investigados.

A operação apura a suposta infiltração do PCC na administração da empresa de transporte coletivo e o uso da estrutura para movimentação e ocultação de recursos ilícitos.

Durante as buscas, investigadores também encontraram R$ 65 mil em espécie escondidos dentro de sacos de lixo em um dos imóveis.

Vídeos obtidos pela coluna mostram um dos alvos subindo uma escada doméstica para retirar o saco que estava escondido em cima de um móvel. A coluna apurou que ele é Devanil de Souza Nascimento, conhecido como “Sapo”. O homem é apontado como operador e suporte do vereador.

As apurações tiveram início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020.

A partir da investigação do homicídio, policiais do Deic e promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) identificaram indícios de que integrantes do PCC passaram a exercer influência direta sobre decisões estratégicas da concessionária.