
Manoela AlcântaraColunas

“Matança de mulheres precisa ser superada”, diz Cármen Lúcia. Veja vídeo
Ministra disse que país vive “matança de mulheres, como se fosse matança de coisas”, e defendeu mudanças
atualizado
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A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou na abertura da sessão plenária da Corte nesta quarta-feira (11/3) que a violência contra mulheres no Brasil é uma “tragédia” que precisa ser superada por uma transformação da sociedade.
Cármen afirmou que a sociedade brasileira vive uma “matança de mulheres, como se fosse matança de coisas”, e defendeu mudanças profundas para enfrentar a violência de gênero no país.
“Acho que esta tragédia que acomete hoje a sociedade brasileira — de uma matança de mulheres, como se fosse matança de coisas, destruição de coisas — precisa ser superada por uma transformação na sociedade. Não é mudança, não é reforma; é uma verdadeira transformação”, disse Cármen.
A ministra também lembrou que, na magistratura, celebra-se o Dia Internacional da Mulher Magistrada, marcado em 10 de março. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para reconhecer o papel das mulheres no Judiciário.
“Acho que a presença do Estado-juiz, pela visão de uma mulher juíza, com os compromissos que elas têm tido — e digo que, no caso de mulheres vítimas de violência doméstica e contra crianças e adolescentes, nós temos juízas que chegam a levar lanche espontaneamente para que a criança possa estar acomodada enquanto ela faz audiência com as mães —, isso é um diferencial, um diferencial de humanidade”, afirmou.Cármen completou: “Eu já não estou falando mais de condições democráticas; estou falando de condições de humanidade civilizada e verdadeiramente libertadora para todas as pessoas”.
Na terça-feira, durante sessão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que preside, Cármen também citou as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no mercado de trabalho e as exclusões e injustiças vividas.
“Não tem sido fácil a vida das mulheres nesta humanidade. Durante muito tempo, o projeto político foi de monopólio do poder pelos homens, paralelo a um monopólio da violência e da participação nos espaços de decisão. E, no caso brasileiro, os índices de violência contra a mulher são absolutamente inaceitáveis”, afirmou.
