Caso Marielle: “Matar uma de nós é mais fácil”, diz Cármen Lúcia
Cinco acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes são julgados no STF desde terça-feira (24/2)
atualizado
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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou, nesta quarta-feira (25/2), o julgamento dos acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, com o voto do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal. Já votaram o ministro relator, Alexandre de Moraes, e os ministros Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
Durante o seu voto, a decana Cármen Lúcia fez extenso comentário sobre a violência política de gênero. Para a ministra, essa condição de invisibilidade e subalternidade torna a vida da mulher mais vulnerável e descartável.
“Somos quase, muito parecidas com sujeitos de direito, mas ainda não temos a integridade de reconhecimento pleno. Então, matar uma de nós é muito mais fácil. Matar fisicamente, matar moralmente, matar profissionalmente“, ressaltou.
Cármen Lúcia relembrou que, em reuniões, os acusados do crime chegaram a cogitar a morte de uma mulher como um “recado” político, enquanto a mesma lógica não se aplicava a um homem na mesma posição, a exemplo do ex-deputado Marcelo Freixo.
“Marcelo Freixo, quando foi projetado inicialmente como possível alvo, foi mais difícil. Chegou-se a dizer expressamente que se tratava de presidente de partido, que não podia. Já uma mulher, ponderou, seria ‘apenas para dar um recado: se continuar, vai ter o mesmo fim’“, destacou.
Os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, da Primeira Turma do STF, votaram pela condenação dos irmãos Brazão como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
No caso de Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, os três ministros o inocentaram em relação ao duplo homicídio, mas votaram pela condenação dele por obstrução à justiça e corrupção passiva.






















