
Manoela AlcântaraColunas

Crime político, misoginia, milícia: veja termos usados por Moraes em julgamento do Caso Marielle
Ministro, que é o relator do processo no STF, afirma que assassinato foi “queima de arquivo” e aponta motivação política e de gênero
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, usou diversas declarações em seu voto para condenar os responsáveis pela morte da ex-vereadora Marielle Franco. Em alguns trechos, o relator classificou o assassinato como crime político.
Moraes, relator da ação penal, afirmou que Marielle atuou para frear o avanço da milícia e que isso contrariou os interesses de políticos, grupo liderado por Domingos e Chiquinho Brazão. O ministro atribui aos irmãos a liderança do assassinato de Marielle e seu motorista Anderson Gomes.
“Marielle Franco era uma mulher preta e pobre que estava peitando os interesses dos milicianos, qual é o recado mais forte que poderia ser feito?”, disse em julgamento nesta quarta-feira (25/2).
O ministro prosseguiu: “Na cabeça preconceituosa dos mandantes, quem iria ligar para isso [morte de Marielle]. Uma cabeça de 100 anos atrás, vamos eliminar e isso não terá grande repercussão. Episódio de política de gênero. Mataram uma mulher que ‘ousou’ ir de encontro aos interesses de homens brancos e ricos. O que eles não esperavam era essa repercussão”, disse o ministro ao votar.
Moraes ainda citou que, pela atuação da ex-vereadora, a morte dela seria, para os mandantes, menos um para atrapalhar os interesses da milícia. “Não há dúvidas de que Marielle se tornou um obstáculo político para a organização criminosa. Era uma pedra no caminho. E esse foi o principal motivo para que fosse determinada a execução da vereadora”, disse o ministro.
“Aqui também há essa misoginia. Essa ideia de violência política de gênero, fazendo de Marielle Franco um alvo ainda mais atrativo para esses milicianos darem o seu recado. O recado era: ‘Não aceitamos esse enfrentamento'”, disse ainda Moraes.
Marielle
Conforme mostrou a coluna, Marinete, mãe de Marielle, passou mal e precisou ser atendida por brigadistas do STF.
Marinete teve um pico de pressão alta e precisou ser atendida por cerca de 40 minutos do lado de fora do plenário do STF. Conforme apurou a coluna, a pressão dela chegou a 17 por 12, nível muito acima do considerado ideal. O atendimento foi realizado por brigadistas da Suprema Corte.
Durante todo o atendimento, ela esteve acompanhada pela filha, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, a neta Luyara Franco e por assessores do Instituto Marielle. O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, também prestou apoio à família.
