Em voto, Moraes destaca motivação política em assassinato de Marielle
STF decide se réus serão condenados ou absolvidos de acusação da PGR de serem mandantes dos assassinatos de Marielle e Anderson
atualizado
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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou, nesta quarta-feira (25/2), o julgamento dos acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco, com o voto do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal. O magistrado iniciou a leitura do seu voto destacando que o assassinato de Marielle teve motivação política.
O magistrado explicou que toda a linha instrução processual penal trata da questão do crime político. Baseado na linha argumentativa da Procuradoria-Geral da República (PGR), Moraes reforçou o embate entre Marielle e os irmãos Brazão na questão das grilagens de terra para motivar o crime.
“Juntou-se a questão política com a misoginia, racismo, descriminação. Marielle Franco era uma mulher preta e pobre, que estava peitando os interesses dos milicianos. Qual é o recado mais forte que poderia ser feito? Na cabeça preconceituosa dos mandantes, quem iria ligar para isso (morte de Marielle)? Uma cabeça de 100 anos atrás, vamos eliminar, e isso não terá grande repercussão”, disse Moraes.
O ministro relator citou o estudo Deadly Democracy: Lethal Political Violence in Brazil, publicado em janeiro de 2026, que trata de crimes motivados por desavenças políticas, nos quais a pesquisa se deu a partir do caso Marielle.
Moraes relembrou também a delação premiada de Ronnie Lessa (condenado pela execução do duplo homicídio), no qual o executor da vereadora afirmou que os irmãos Brazão estavam preocupados com a repercussão tomada pelo caso.
“Não foi só Macalé (apontado na investigação como responsável pela contratação de Lessa) que foi morto. Isso gerou um efeito dominó, porque a repercussão foi muito grande. É importante esse contexto”, frisou Moraes.
Relator também da ADPF das Favelas, o ministro destacou que operações policiais esporádicas no Rio de Janeiro são importantes, mas não suficientes, para combater grupos criminosos no Estado. Para Moraes, muitas autoridades fluminenses se deixaram levar pela influência de criminosos ligados a milícia, trafico e jogos ilegai, deixando o crime se infiltrar nos poderes políticos.


















