
Leo DiasColunas

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2020 será sempre lembrado como um divisor de águas. Vamos falar do mundo do entretenimento? A Covid-19 mudou para sempre a relação artista-fã. E sacudiu impérios que, até então, pareciam inabaláveis.
Vamos analisar os efeitos da pandemia na vida de quem vive da arte. O mais curioso é perceber que quem se “escorava” em uma empresa ou em um cargo se deu muito mal esse ano. O que eu quero dizer é: muitos artistas, a maioria funcionários da TV Globo, perceberam que a emissora não é mais um eterno cabide de emprego.
Aliás, a Globo recebeu o maior choque de realidade de sua história. Antes, a emissora simplesmente fingia que o YouTube não existia e derrubava todo seu conteúdo na plataforma. Aí vieram as lives… E não mais do que de repente Ivete Sangalo ao vivo na Globo e no YouTube.
Quer mais? Atores contratados da Globo eram absolutamente exclusivos da emissora — e tinham a certeza de que o mundo girava em torno dela. Aí veio Larissa Manoela para mudar toda e qualquer regra. Quer contratar a maior estrela teen da atualidade? Então, vai ter que dividi-la com a Netflix. A Globo finalmente percebeu que, se não mudasse, ficaria pra trás. Quer dizer, mais pra trás.
Grandes nomes da teledramaturgia foram dispensados depois de décadas, mas o pior: sem qualquer perspectiva. Por que? Porque acreditavam que haviam chegado ao topo.
Os artistas tiveram um grande desafio em 2020: serem relevantes na internet. A TV parou, a web se tornou o principal entretenimento. E aí? Artistas de renome são absolutamente ignorados na internet. Inexistem. O que aconteceu? A renda deles despencou em 2020, pois viviam de “presença VIP”. Algo que não existiu esse ano.
Celebridades
Agora, o mais grave de tudo: 2020 mudou completamente o conceito do que é ser uma celebridade. Estar no ar na TV e no horário nobre não garante nem fama nem sucesso.
Os digital influencers dominaram 2020. Cresceram assustadoramente. Faturaram como nunca. O mercado publicitário começou a ignorar atores e atrizes por um simples motivo: num ano em que não houve produção de arte dramática, para que investir neles? Artista só tem relevância se produz arte.
Atores e atrizes que não perceberem que é necessário produzir conteúdo para seu público na internet vão ficar pra trás. Mesmo quando tudo voltar ao normal.
E o brasileiro passou a se entreter na palma da mão, por meio do celular. E se informar também. Jornais e revistas tiveram a maior queda da história. E as redes sociais crescem a cada dia como o veículo de informação da população.
Música
Agora é necessário falar da música. Eles serão os últimos a retomarem as atividades. Mas tinham uma reserva imensa e isso amenizou o baque. Sempre o maior faturamento dos cantores vinha dos shows, e eles nem tinham real controle sobre o digital.
Com a pandemia, os artistas começaram a reavaliar a enorme fatia que as gravadoras ganham com suas músicas. Aliás, podem anotar: as gravadoras estão com os dias contados. Se elas não se tornarem menos gananciosas, vão se tornar inúteis.
Televisão
Agora… O que dizer da TV em 2020? Quem poderia imaginar que a megaindústria das novelas seria paralisada. E o mais louco: as reprises dando mais audiência do que a versão original.
O que salvou a TV foi, de fato, o jornalismo. Ganhou muito mais espaço, mas ficou mais político e menos imparcial. Em 2020, o telespectador viu mais claramente os interesses de cada emissora ao noticiar uma informação.
Mas, curiosamente, os salários dos âncoras de TV despencaram. Hoje, você não verá mais um apresentador de telejornal ganhando R$ 400 mil por mês. Essa era chegou ao fim. E a responsável por isso foi a CNN. Ela agitou o mercado, mas não ofereceu rios de dinheiro a seus funcionários. A tática foi contratar jovens talentos que estavam ávidos por estarem atrelados a uma empresa tão poderosa.
Outra curiosidade: caiu o interesse do brasileiro pelo futebol. Lógico que o esporte ainda reina absoluto, mas os jogos despertam cada vez menos interesse. A ausência da torcida é a principal explicação.

















