iFood e 99 defendem motorista autônomo após PT propor vínculos formais
Empresas dizem que estão abertas a ouvir propostas sobre regulamentação, mas são contrárias à ideia de formalizar vínculos empregatícios

As falas de economistas que aconselham Lula sobre propor uma legislação para reconhecer o vínculo empregatício dos prestadores de serviços por aplicativos provocou reações de empresas do setor. O iFood e a 99, duas das maiores empresas do ramo, disseram à coluna que se opõem à formalização dos contratos de trabalho com colaboradores.
O debate foi introduzido na campanha de Lula após integrantes do governo espanhol terem compartilhado com o ex-presidente detalhes de uma lei que reconheceu vínculos formais entre entregadores de delivery e empresas no país. O ex-ministro Aloizio Mercadante, em entrevista recente, elogiou a legislação espanhola e afirmou que o PT estudará uma proposta semelhante.
A 99 disse à coluna estar “atenta ao debate sobre o futuro do trabalho e encontra-se à disposição para dialogar”, mas ressaltou que, na visão da empresa, o formato atual confere autonomia para motoristas e entregadores.
A empresa lembrou que os colaboradores do aplicativo podem usar mais de uma plataforma e que, portanto, estão livres para escolher por qual farão as corridas. “A 99 faz a intermediação de viagens e os serviços são prestados de forma livre, sem obrigatoriedade de cumprimento de horário e jornada”, afirmou a empresa.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesUma decisão do Superior Tribunal de Justiça, pontuando que parceiros são profissionais autônomos, sem vínculo de emprego ou trabalho, costuma ser citada pelo setor para corroborar esta visão.
O iFood afirmou que “vê com bons olhos” a iniciativa de regulamentar as atividades de entregadores de plataforma e que defende a construção dessa agenda, de maneira a amparar os novos modelos de trabalho e assegurar direitos aos profissionais, como a seguridade social.
“O debate em torno do tema deve ser amplo, envolvendo os Três Poderes, sociedade civil, academia, empresas e principalmente os entregadores”, declarou a empresa.
Em julho do ano passado, o presidente do iFood, Fabricio Bloisi, publicou um artigo em que defendeu o debate e reforçou a importância de se respeitar a vontade dos entregadores, assegurando direitos e a autonomia de cada um decidir quando, onde e para quem trabalhar.
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), entidade que reúne as empresas do setor, também acompanha o tema e disse defender um ambiente regulatório que propicie a proteção dos trabalhadores e reforce a segurança jurídica.
Procurada, a Uber respondeu que não iria se manifestar. A Rappi não retornou os contatos da coluna.


















