Bailarina de Leonardo revela o tratamento após incômodo com celulites
Lane Cavalcante procurou ajuda especializada após o problema começar a interferir nas escolhas de roupa e na segurança em cena

Um problema que atinge muitas mulheres pelo mundo, a celulite pode mexer com a autoestima, principalmente quando se trabalha com imagem. E esse foi o caso da bailarina do cantor Leonardo, Lane Cavalcante, que percebeu os incômodos e resolveu tomar uma atitude.
Entre figurinos cavados, luzes fortes e câmeras ligadas, ela percebeu que a celulite começava a interferir nas escolhas de roupa e na segurança em cena. Foi então que ela procurou ajuda especializada e passou por uma avaliação detalhada.
“Comecei a me incomodar muito mesmo”, disse a profissional da dança, recordando o dia em que o problema deixou de ser apenas um detalhe diante do espelho e passou a fazer parte das preocupações no camarim.
Mudanças no corpo após emagrecer
Ainda durante o bate-papo com a coluna, Lane Cavalcante falou das mudanças em seu corpo após perder peso, principalmente no no desenho do bumbum. Ela, que tem prótese de silicone nos glúteos desde 2011, notou uma diferença evidente entre a parte de cima e a de baixo.
“A parte de cima estava lisinha, mas a parte inferior começou a ficar com muitas retrações, e isso estava me incomodando bastante”, contou, antes de assumir que o incômodo não ficava apenas nas fotos.
“Na hora de colocar uma roupa mais justa, para fazer exercício de academia, começava a mostrar o formato da prótese. E, como eu danço e os figurinos são bastante cavados, mostra bastante o bumbum. Então comecei a me incomodar muito mesmo”, relatou.
Do lado de fora, a plateia via brilho, dança e espetáculo. Do lado de dentro, ela já começava a ajustar movimentos e figurinos para disfarçar algo que ninguém tinha colocado no roteiro.
O que diz a medicina
Quando decidiu procurar ajuda, a dançarina ouviu um termo que quase nunca aparece em conversa de camarim: lipodistrofia ginoide. É assim que a médica Marcela Fiel, se refere à celulite.
“É uma gordura localizada que envolve alteração estrutural do tecido subcutâneo entre a pele e a derme. A aparência de furinhos acontece por causa dos septos fibrosos, que são traves de tecido conjuntivo que puxam a pele para baixo, enquanto os lóbulos de gordura empurram a pele para cima”, explicou ela que, para pacientes leigas costuma resumir os septos como fios internos de sustentação que ficam tensionando a pele para dentro.
Mais detalhes
A especialista contou, ainda, que o corpo feminino tem características que favorecem esse desenho: “A mulher, fisiologicamente, possui maior quantidade de gordura subcutânea. Os septos fibrosos da mulher são mais verticais e paralelos, e isso favorece o aparecimento dos furinhos indesejados. Há ainda a maior quantidade de estrogênio, que favorece o acúmulo de gordura em glúteos e coxas, aumenta a retenção hídrica e modifica a organização do colágeno”, esclareceu.
Por isso, a ideia de que celulite é sinônimo de falta de exercício ou descuido não se sustenta: “A celulite é uma condição multifatorial. Envolve alteração dos septos fibrosos, distribuição da gordura no subcutâneo, qualidade da pele e flacidez, microcirculação local, influência hormonal e predisposição genética”, resumiu Marcela Fiel.
A médica reforçou também que a celulite é extremamente comum depois da puberdade em mulheres de diferentes biotipos, inclusive naquelas que se alimentam bem e praticam atividade física com regularidade.
Veículos que acompanham o tema lembram que, na prática, nenhum método apaga a celulite por completo, e que a maior parte dos tratamentos se propõe a melhorar o aspecto da pele, não a prometer o desaparecimento total.
Do celular para o consultório
Com o incômodo crescendo no palco e no dia a dia, Lane passou para a fase da pesquisa: “Meu trabalho é com dança, e os figurinos são bastante cavados, então não tem nem como esconder. Por isso comecei a pesquisar sobre o método e acompanhei bastante, até chegar o momento realmente de decidir fazer o procedimento”, contou.
Até então, ela nunca tinha feito outro tipo de tratamento para celulite: “Como começou a me incomodar recentemente, eu nunca tinha feito nada. Aí, comecei a me interessar por essa técnica e a ver que realmente dava resultado”, lembrou.
Na consulta, o foco não ficou apenas nos furinhos que apareciam no palco: “A avaliação eu achei maravilhosa, superesclarecedora. Além da soltura dos septos da celulite, para melhorar a qualidade da pele faríamos o bioestimulador de colágeno. E, para tirar a marcação da prótese que estava me incomodando com o emagrecimento, também foi indicado o preenchimento”, comentou ela.
Marcela Fiel descreveu esse momento como decisivo. “É quando consigo entender a história daquele corpo. Se é mesmo celulite, qual o grau, quanta flacidez existe, como é o dia a dia dessa pessoa, se há outras condições que entram na equação. Às vezes, o mais ético é não indicar um procedimento invasivo naquele momento, e isso também faz parte do cuidado”, disse.
Tratamento mais profundo
No caso da bailarina de Leonardo, o plano incluiu combinar frentes: atuar nos septos fibrosos, melhorar a qualidade da pele e ajustar a região marcada pela prótese. Para isso, entrou em cena uma abordagem minimamente invasiva para liberação de septos.
Do ponto de vista médico, a base é o conceito de subcisão, técnica usada há anos para tratar depressões na pele, como algumas cicatrizes e a celulite em graus mais avançados.
“Se pensarmos que os septos fibrosos funcionam como fios puxando a pele para baixo, o raciocínio é atuar justamente nesses fios. A subcisão e as técnicas baseadas nela fazem um descolamento controlado dessas traves, dando à pele a chance de se reorganizar com menos depressões”, pontuou a especialista.
Casos precisam ser avaliados
A médica alertou que esse tipo de estratégia não é o ponto de partida para todo mundo: “Em graus mais leves, medidas como exercício, alimentação equilibrada, melhora da qualidade da pele e, em alguns casos, bioestimulador de colágeno podem trazer boa resposta”, observou, antes de completar:
“Conforme o grau aumenta, só isso costuma não ser suficiente, e aí conversamos sobre procedimentos que alcancem estruturas mais profundas. Mas isso sempre passa por avaliação, não por moda”, explicou.
Medo e decisão consciente
Para Lane Cavalcante, o ponto de virada foi transformar medo em informação: “Tudo tem risco, desde um botox até qualquer procedimento. Foi tudo bem esclarecido, isso me passou total segurança, então fiquei bem tranquila”, lembrou.
Ela sabia que teria algumas limitações nos dias seguintes: “Pequenos roxos e não sentar durante três dias, mas para mim foi tudo de boa”, garantiu.
Na prática, Marcela Fiel faz questão de detalhar o roteiro com calma: “Explico que é um procedimento minimamente invasivo, com anestesia local, realizado em consultório médico, em clínica habilitada pela Vigilância Sanitária, com a paciente acordada o tempo todo”, enumerou.
E deu mais detalhes: “Falamos das possíveis intercorrências, como seroma, equimoses, hematomas e hiperpigmentação local, e de como acompanhamos qualquer coisa fora do esperado. A ideia é que ninguém entre em um procedimento sem saber exatamente no que está se envolvendo”, apontou.
O procedimento e o pós
Mesmo com tudo explicado, o frio na barriga apareceu: “A gente sempre fica naquela ansiedade, porque só acompanhava o antes e o depois de outras pessoas. Quando chega o nosso dia, é sempre aquela expectativa do resultado”, disse Lane.
A experiência, no entanto, foi mais tranquila do que ela projetava. “Foi tudo de boa, passaram bastante segurança a todo momento, do início ao fim do procedimento”, disse.
No pós, o temor de dor forte não se confirmou: “Foi muito tranquilo, além do que eu esperava. Foi receitado remédio de dor, caso eu precisasse, mas não cheguei nem a tomar medicação. Era só a questão de passar três dias sem sentar, mas, fora isso, ocorreu tudo bem”, relatou.
Orientações médicas
O protocolo também incluiu orientações de uso de bandagens, short compressivo, medicação quando indicada e ajustes temporários na rotina. Marcela Fiel destacou que o acompanhamento é parte do tratamento.
“Não é só fazer e ir embora. Mantemos contato, pedimos fotos, perguntamos sobre dor, inchaço, manchas. Se algo foge do previsto, avaliamos de perto e, se preciso, pedimos exames e ajustamos a conduta”, comentou.
O que mudou no espelho e na coreografia
Ainda dentro do tempo de cicatrização, a bailarina já percebe mudanças: “Ainda não fez nem três meses, mas a diferença é notória. A qualidade da pele melhorou bastante, a flacidez também. Ainda não chegou ao resultado final, mas eu já estou bem satisfeita, e cada dia melhora mais”, celebrou.
Ela resumiu o impacto naquilo que mais a incomodava: a sensação de ter resolvido, em boa parte, o ponto que mais a preocupava no palco.
Satisfação
No palco, isso se traduz em menos autocensura: “Antes de fazer o procedimento, principalmente na hora de dançar com as luzes do palco, a gente fica com aquele receio de estar mostrando mais. Depois que eu fiz, vi diferença, o quanto melhorou o aspecto da minha pele. Isso passa bastante segurança para fazer cada vez melhor o nosso trabalho, sentindo-se bem”, pontuou.
A frase que melhor resume a sensação veio diretamente do espelho: “Assim que finalizou, quando olhei no espelho e vi o resultado, eu disse: ‘Meu Deus, por que não fiz antes?’”, questionou.
Para Lane Cavalcante, a mudança está tanto na imagem quanto na postura: “Quando a gente está bem com a autoestima, está bem para tudo”, concluiu.

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