Celulite e hormônios: como as fases da vida moldam o corpo feminino
Da adolescência à menopausa, oscilações hormonais e retenção de líquidos definem o aspecto e a intensidade das “temidas” celulites
atualizado
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A aparência da pele feminina não é um estado estático, mas um reflexo direto da complexa engrenagem hormonal que opera da puberdade ao climatério. O que muitas mulheres interpretam apenas como uma questão estética ou falta de cuidados é, na verdade, uma resposta biológica às diferentes etapas da vida.
“A celulite não é estática. Ela muda com os hormônios e acompanha cada fase da vida da mulher”, explica o médico Roberto Chacur.
Entenda
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Adolescência: o início do acúmulo de gordura em regiões específicas, como coxas e glúteos, marca o surgimento das primeiras irregularidades.
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Fase adulta: o ciclo menstrual e o uso de anticoncepcionais provocam variações mensais na retenção de líquidos e na visibilidade da pele.
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Gestação: o aumento da pressão vascular e as mudanças circulatórias intensificam temporariamente o aspecto da celulite.
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Menopausa: a queda do estrogênio fragiliza as fibras de colágeno, tornando as depressões na pele mais evidentes e persistentes.

O despertar hormonal e a maturidade
Na adolescência, a celulite costuma fazer sua estreia. É o período em que o corpo feminino começa a ganhar formas definitivas e a gordura subcutânea se concentra em áreas estratégicas. Para Roberto Chacur, este é o marco inicial de um processo natural.
“Mesmo sendo mais leve, já indica como esse padrão pode evoluir ao longo dos anos”, diz o profissional.
Ao atingir a fase adulta, a pele passa a ser um termômetro das variações cíclicas. O uso de hormônios sintéticos, como anticoncepcionais, aliado à retenção hídrica característica do período pré-menstrual, faz com que a celulite oscile. Segundo o especialista, o corpo torna-se mais sensível, o que explica por que a pele parece melhor ou pior em determinados dias do mês.
Desafios da gestação e do climatério
Durante a gravidez, o cenário é dominado por questões circulatórias. A pressão sobre os vasos sanguíneos e a retenção severa de líquidos exacerbam os furinhos. Entretanto, é na menopausa que o desafio muda de natureza. Com a redução drástica do estrogênio, a pele perde elasticidade e espessura. Sem o suporte firme do colágeno, as irregularidades da gordura subjacente tornam-se muito mais visíveis.

Conscientização e novo olhar
Dentro do setor de estética, movimentos e técnicas buscam tratar o problema com foco na fisiologia. A especialista Nívea Bordin Chacur, da Clínica Leger, observa que o perfil das pacientes mudou: a busca agora é pela compreensão do próprio organismo.
“Hoje muitas mulheres chegam querendo entender por que a celulite muda tanto. Já não é só sobre aparência, mas sobre o que está acontecendo com o corpo”, relata a médica.
Para ela, o entendimento biológico ajuda a reduzir a autocrítica excessiva. “Cada fase traz uma resposta diferente. Quando entendemos isso, mudamos a forma como nos olhamos no espelho. Não é sobre corrigir, é sobre entender o que o corpo está mostrando”, conclui.
