Celulite: saiba quando ela piora e o que fazer para resolver
Flutuações de estrogênio e progesterona alteram o surgimento de celulite na pele; veja em qual período ela fica mais evidente
atualizado
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A relação entre os hormônios e a pele da mulher vai muito além do surgimento de espinhas ou do aumento da oleosidade. Ao longo do ciclo menstrual, as variações hormonais provocam oscilações na retenção de líquidos e na circulação sanguínea. Esse cenário altera temporariamente o relevo cutâneo e a percepção visual da celulite. Compreender essa “dança” biológica é o primeiro passo para que as mulheres evitem frustrações com tratamentos estéticos e passem a cuidar do próprio corpo de forma mais estratégica e realista.
Entenda
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Mudança visual, não estrutural: a celulite não nasce ou desaparece em dias; o que muda ao longo do mês é apenas o inchaço que a torna mais ou menos aparente.
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O impacto do estrogênio e da progesterona: as oscilações dessas duas substâncias mexem diretamente com a elasticidade da pele e com o acúmulo de líquidos no corpo.
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Pico na fase pré-menstrual: é no período que antecede a menstruação que a retenção hídrica aumenta, evidenciando os desníveis no tecido subcutâneo.
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Alívio pós-fluxo: quando o balanço hormonal se estabiliza e o inchaço cede, o aspecto da pele naturalmente ganha uma aparência mais uniforme e lisa.
A biologia por trás do espelho
Muitas mulheres percebem que suas pernas e glúteos mudam de textura de uma semana para a outra, mas poucas compreendem o mecanismo biológico por trás disso. A explicação está no comportamento do estrogênio e da progesterona.
De acordo com a dermatologista Denise Ozores, de São Paulo, a pele não é um órgão estático e responde ativamente ao que acontece no interior do organismo feminino.
“Ao longo do ciclo menstrual, o corpo passa por flutuações hormonais que impactam a circulação, a retenção de líquidos e a elasticidade da pele. Isso pode influenciar temporariamente a aparência da celulite”, explica a especialista.

A retenção de líquidos e a fase pré-menstrual
O momento mais crítico para essa percepção visual ocorre na fase pré-menstrual (a famosa TPM). Nesse intervalo, o organismo tende a estocar mais água entre as células, gerando edema (inchaço).
“Muitas mulheres relatam que a celulite parece mais evidente nesse período. Isso acontece porque o inchaço altera a forma como a pele e o tecido subcutâneo se apresentam”, afirma a médica dermatologista.
Segundo a especialista, o líquido retido “empurra” a pele, evidenciando as traves fibrosas que puxam o tecido para baixo e desenham os furinhos clássicos da celulite.
Passado esse período, o corpo desincha. Com um melhor equilíbrio hormonal e menor retenção hídrica, a celulite visualmente recua, dando a impressão de melhora espontânea.
Alinhando expectativas e evitando frustrações
Ter consciência desse ciclo é um trunfo psicológico e financeiro para a mulher. Saber ler o próprio corpo evita a quebra de expectativas com cremes e procedimentos de beleza.
Muitas vezes, segundo a especialista, as pacientes acreditam que um dermocosmético ou protocolo estético “parou de funcionar”, quando, na verdade, o produto está apenas disputando espaço com o inchaço natural do período pré-menstrual. Não há creme que anule a biologia do ciclo.
“A celulite é multifatorial e envolve fatores estruturais, hormonais e comportamentais. Quando a mulher entende o próprio corpo, ela passa a ter uma leitura mais realista dessas variações e consegue cuidar da pele de forma mais estratégica”, finaliza Denise Ozores.










