
É o bicho!Colunas

Queimadura por água-viva: dermatologista revela como agir e os riscos
Queimadura por água-viva é comum no verão e exige cuidados corretos. Especialista alerta contra mitos e orienta como agir com segurança
atualizado
Compartilhar notícia

Viajar para praia costuma ser sinônimo de descanso, relaxamento e alegria. Ainda assim, imprevistos podem surgir e transformar rapidamente esse cenário. Entre eles, está a queimadura causada por água-viva — um problema mais comum do que se imagina e que ainda gera dúvidas sobre como agir corretamente. Os primeiros passos são não se desesperar evitar soluções caseiras, que podem piorar a situação.
O que fazer ao ser queimado?
Nesses casos, é comum ouvir recomendações sobre o uso de urina na queimadura — o que, na verdade, é um mito. O dermatologista Gustavo Saczk explica que é fundamental evitar soluções caseiras e crenças populares. “Álcool, pasta de dente e urina não devem ser utilizados, pois aumentam a liberação do veneno e pioram a lesão.”
Segundo o especialista, entre as opções mais comuns, o uso de vinagre é o único com comprovação de melhora. “O vinagre ajuda a reduzir a atividade das toxinas ainda presentes na pele e costuma aliviar a dor, que pode ser bastante intensa”, afirma. Ele também reforça a importância de remover eventuais fragmentos visíveis e evitar tocar a região afetada.
Contato indesejado
No litoral brasileiro, a maior ocorrência desses animais tende a acontecer durante o verão, impulsionada pelo aumento da temperatura da água. Ventos de Nordeste e Leste também contribuem para levá-los em direção à costa, coincidindo com o período de reprodução.

Foi em um contexto como esse que Paola Cieglinski, universitária de 20 anos, viveu uma experiência inédita durante uma viagem a Arraial d’Ajuda, na Bahia. No segundo dia de passeio, ao visitar a Praia de Pitinga, o momento de lazer foi interrompido por um susto: o contato com uma água-viva.
Em entrevista ao Metrópoles, a jovem descreveu a sensação da queimadura. “Senti como se fossem agulhas na minha perna. Devido ao susto, acabei chutando e ela bateu na minha coxa, que queimou também. É uma sensação muito estranha, senti as agulhadas e ao mesmo tempo uma ardência muito forte.”

Após o acidente, Paola contou que foi carregada pelo namorado até a areia. Sem saber como agir, recebeu a orientação de um banhista que já havia passado pela mesma situação: aplicar vinagre no local. “Eu nunca pensei que fosse passar por isso. Deixei um guardanapo com vinagre um bom tempo, o que aliviou bastante.”

Os riscos
Para muitas pessoas, um episódio como esse poderia arruinar toda a viagem. A universitária, no entanto, relatou que a dor mais intensa durou cerca de dois minutos, seguida por uma ardência que persistiu por aproximadamente uma hora. “Meu conselho é não se desesperar, você acaba se queimando em mais lugares, como aconteceu comigo.”

Embora, na maioria das vezes, não seja uma ocorrência grave, é importante ficar atento aos sinais. Gustavo destaca que, quanto maior a área atingida, maiores tendem a ser os efeitos no organismo. Sintomas como dificuldade para respirar, sensação de desmaio, náuseas e vômitos podem indicar uma reação mais severa.
“É essencial procurar um pronto-socorro imediatamente, pois pode haver comprometimento sistêmico que exige avaliação e tratamento médico urgente”, orienta o dermatologista sobre casos mais graves.
Conhecimento nunca é demais
Duas semanas após o acontecimento, Paola ainda apresenta marcas na pele — ao contrário de familiares que também tiveram contato com águas-vivas durante o passeio. “Não é normal ficar com essas marcas por muito tempo, provavelmente tive uma reação alérgica”, esclareceu.

Por último, ela deixou um alerta para quem pretende viajar para praias onde esses animais estão presentes: “Em um ambiente que o improviso costuma falar mais alto, o conhecimento pode evitar erros que colocam a saúde em risco”, concluiu a universitária.
