metropoles.com

Juba-de-leão: entenda como água-viva supera o tamanho da baleia-azul

Apesar de ter tentáculos maiores que uma baleia-azul, a água-viva tem corpo simples, funciona como predadora e serve como alimento no oceano

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Connect Images/Alexander Semenov/Getty Images
Foto colorida de água-viva juba-de-leão. Juba-de-leão: entenda como água-viva supera tamanho da baleia-azul
1 de 1 Foto colorida de água-viva juba-de-leão. Juba-de-leão: entenda como água-viva supera tamanho da baleia-azul - Foto: Connect Images/Alexander Semenov/Getty Images

A juba-de-leão (Cyanea capillata) é a maior água-viva do mundo. Seus tentáculos podem ultrapassar 30 metros, comprimento maior do que o da baleia-azul, o maior animal do planeta. Apesar do seu tamanho impressionante, a estrutura corporal da água-viva é simples, característica de invertebrados marinhos do filo Cnidaria.

Cientistas apontam que mudanças ambientais, como o aquecimento dos oceanos, podem favorecer a proliferação desses organismos. A presença da juba-de-leão também funciona como um indicador da saúde marinha, já que espécies sensíveis refletem desequilíbrios ecológicos, como a sobrepesca e alterações na disponibilidade de alimento.

O contato humano com esses animais é raro, pois habitam regiões profundas do Atlântico Norte e do Ártico. Ainda assim, caso uma pessoa toque seus tentáculos, pode sofrer queimaduras e reações alérgicas. A toxina não é letal na maioria dos casos, mas o tamanho e a quantidade de tentáculos tornam o risco significativo.

Estrutura corporal e alimentação da água-viva

Hudson Monteiro, biólogo e professor de biologia no colégio Marista Champagnat de Taguatinga, explica que mesmo com o tamanho de seus tentáculos, a estrutura da água-viva é simples por ser um animal invertebrado.

“O seu tamanho imenso é mais pelo alongamento de seus tentáculos, mas a estrutura principal de seu corpo tem por volta de dois metros de diâmetro”, explica Monteiro.

O especialista detalha ainda como a espécie captura suas presas: usando tentáculos com células urticantes chamadas cnidócitos. Eles funcionam como redes de pesca, paralisando peixes, crustáceos e até outras águas-vivas menores antes de direcioná-los à cavidade gastrovascular para digestão.

“Os tentáculos funcionam como uma rede de pesca, e o bicho que der o azar de ficar preso eventualmente irá se tornar alimento”, destaca Monteiro.

A água-viva possui mecanismos eficientes para sobrevivência e alimentação, uma vez que seus tentáculos longos aumentam significativamente a área de captura de presas, o que permite que o animal se alimente mesmo à deriva em correntes oceânicas. Além disso, a presença de cnidócitos permite que a água-viva imobilize suas presas de forma rápida.

O comportamento da juba-de-leão também é considerado simples devido ao sistema nervoso difuso. Diferente de animais com cérebros centralizados, como mamíferos marinhos, a água-viva não processa informações complexas nem realiza movimentos coordenados avançados.

O animal reage apenas a estímulos do ambiente, como toque ou presença de presas, de maneira parecida ao sentido do tato, sem padrões comportamentais elaborados ou controle voluntário dos movimentos.

Foto colorida de água-viva juba-de-leão. Juba-de-leão: entenda como água-viva supera tamanho da baleia-azul
O nome da água-viva vem da cor dos chamados “braços orais” — estrutura localizada perto da boca — que têm tom violeta combinado a tentáculos avermelhados ou amarelos

Habitat e predadores da água-viva

As águas profundas e frias do Atlântico Norte e do Ártico oferecem condições ideais para a espécie. O biólogo explica que essas regiões têm mais oxigênio dissolvido, menos competição e predadores, o que permite metabolismo lento e crescimento considerável.

Mesmo com o seu tamanho, a água-viva não deixa de enfrentar predadores naturais. Emanuele Abreu, professora de biologia do Colégio Católica Brasília, explica que algumas espécies de tartarugas marinhas, peixes grandes, aves e até outras águas-vivas podem se alimentar dela.

“Apesar do tamanho impressionante, ela não é intocável. Mas, por ser gigante, enfrenta menos predadores do que espécies menores”, explica Emanuele.

Saúde dos oceanos e potencial científico da água-viva

A presença crescente da juba-de-leão em diferentes regiões do oceano indica alterações ambientais importantes, funcionando como um termômetro natural da saúde marinha.

Emanuele detalha que o aquecimento das águas acelera o ciclo de vida da espécie e expande seu habitat, enquanto mudanças na disponibilidade de plâncton favorecem sua proliferação.

“O aquecimento global cria um ambiente mais favorável para muitas espécies de águas-vivas, incluindo a Cyanea capillata. As águas mais quentes proporcionam um ciclo de vida mais acelerado para esses organismos, além de expandir suas áreas de habitat para regiões onde antes a água era muito fria”, esclarece Emanuele.

Além de seu papel ecológico, a espécie desperta interesse em biotecnologia e medicina. Sua toxina, colágeno e capacidade regenerativa são estudados para o desenvolvimento de medicamentos e cosméticos com potencial terapêutico e industrial.

“Muitas vezes, populações grandes de águas-vivas surgem quando há sobrepesca ou diminuição de predadores, além da poluição e do aquecimento das águas. Por isso, a Cyanea capillata pode ser vista como um tipo de ‘termômetro’ das condições ambientais marinhas”, relata Emanuele.

Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto!

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?