1 de 1 Imagem colorida mostra peixe-lua nadando no oceano - Metrópoles
- Foto: Rodrigo Friscione/Getty Images
Ao navegar pela internet, é comum encontrar vídeos com curiosidades animais. Alguns deles, porém, acabam sendo injustos com os bichos, como acontece com frequência com o peixe-lua (Mola mola).
Basta alguns cliques para encontrar vídeos rotulando o animal como “inútil na natureza”. O peixe não possui cauda, não tem muita habilidade para nadar, boia de lado e ainda tem dificuldades para caçar. Por ter características biológicas pouco comuns para a sobrevivência no ecossistema marinho, ele é julgado como fraco e sem utilidade.
No entanto, se engana quem acha que o peixe-lua não serve para nada. Do ponto de vista biológico, o animal é considerado essencial para o funcionamento do ambiente em que está inserido.
“O peixe-lua exerce funções ecológicas importantes, como o controle populacional de águas-vivas, ajudando a manter o equilíbrio dos ecossistemas marinhos”, aponta o professor de biologia Paulo Henrique Barboza de Castro, do Colégio Marista Águas Claras, em Brasília.
Segundo Castro, o peixe ainda participa das cadeias alimentares, servindo de hospedeiro para diversos parasitas e, em algumas fases da vida, como presa para grandes predadores.
O hábito de boiar de lado na superfície também tem explicação: quando está na posição horizontal, aves se alimentam dos parasitas presentes no corpo dele, ajudando a livrar o peixe dos hospedeiros. “Podemos chamar essa relação de mutualismo”, diz o professor.
É extremamente prejudicial rotular um animal como inútil, ainda mais sem embasamento científico. Segundo os especialistas ouvidos pelo Metrópoles,apontamentos errôneos reduzem o interesse público e político da luta pela conservação de espécies na natureza.
“Espécies vistas como pouco relevantes tendem a receber menos atenção em políticas ambientais, pesquisas científicas e programas de proteção. Isso é preocupante, já que a perda de qualquer espécie pode gerar efeitos em cascata nos ecossistemas”, alerta Castro.
Por exemplo, ao frequentar praias durante as férias, é comum vermos ocorrências de queimaduras por águas-vivas no mar. Considerado um dos maiores predadores dos cnidários, caso o peixe-lua sumisse, os ataques seriam muito mais constantes.
“O peixe-lua é vital para os ecossistemas marinhos, atuando principalmente no controle populacional de águas-vivas e gelatinas. O fato de removerem toneladas diárias de água viva, torna-o um importante regulador”, ressalta o oceanógrafo Rafael Schroeder, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina.
Redes de pesca prejudicam a sobrevivência dos peixes-lua
Curiosidades sobre o peixe-lua
As espécies de peixe-lua são consideradas as com os maiores peixes ósseos do mundo. Para se ter uma ideia do tamanho e peso, um exemplar de Mola alexandrini foi encontrado em Portugal pesando mais de duas toneladas em 2021.
Normalmente, eles são achados nos oceanos tropicais e temperados, visitando constantemente as águas brasileiras. No entanto, não é fácil ver um desses, visto que eles gostam de habitar locais mais intermediários ou de grandes profundidades do ecossistema marinho. Raramente eles são encontrados na costa.
Atualmente, o peixe-lua é classificado como “vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Uma das possíveis explicações para o risco atual é o rótulo de inútil.
“Do ponto de vista comercial, o fato de serem considerados inúteis, pode aumentar a mortalidade sobre eles. É comum se enroscarem de forma acidental em aparelhos de pesca. Sempre que possível, os mesmos devem ser liberados de volta ao mar”, recomenda Schroeder.
Colisões com embarcações e o aumento da poluição marinha também são fatores que prejudicam a sobrevivência dos peixes nos oceanos.