Estudo indica que águas-vivas dormem mesmo sem ter cérebro. Entenda
Nova pesquisa aponta que descoberta do comportamento em águas-vivas sugere que a origem e evolução do sono é extremamente antiga
atualizado
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No descanso, o sono nos ajuda a restaurar tanto o corpo quanto a mente. Ele é essencial para a saúde cerebral e outros mecanismos do organismo. O curioso é que, apesar de não terem cérebro e sim redes neurais pelo corpo, pesquisadores descobriram que águas-vivas também precisam de uma soneca reparadora.
A descoberta liderada por pesquisadores da Universidade Bar-Ilan, em Israel, teve os resultados publicados nessa terça-feira (6/1) na revista científica Nature Communications.
Os cientistas apontam que as águas-vivas têm um ciclo de sono extremamente semelhante ao nosso, dormindo cerca de um terço do dia. Estudos anteriores já indicavam que os animais marinhos entravam em estado parecido com o descanso, mas a nova pesquisa descreveu pela primeira vez como era o padrão do comportamento.
O achado em seres com sistemas mais simples também sugere que a origem do sono é muito antiga, visto que ancestrais humanos e os das águas-vivas se separaram na árvore evolutiva há cerca de 1 bilhão de anos.
Apesar de reparador, o sono das águas-vivas chama atenção por torná-las mais vulneráveis em um ambiente hostil como o mar.
“A evolução do sono veio acompanhada de grandes concessões em termos de aptidão, como a redução da consciência do ambiente e a vulnerabilidade à predação”, apontam os cientistas no artigo.
O sono águas-vivas
Ao analisar espécimes de água-viva invertida (Cassiopea andromeda) e de anêmona-do-mar estrela (Nematostella vectensis) em laboratório e em condições naturais, foram percebidos um aumento de danos ao DNA quando os animais foram privados de sono. Quando houve uma elevação de prejuízos ao material genético nos experimentos, os cnidários responderam dormindo mais.
Segundo os pesquisadores, o sono para esse filo de animais aquáticos invertebrados pode ter evoluído para proteção celular contra danos ao código genético.
Outra curiosidade identificada é a diferença de padrões de descanso entre os animais: enquanto as águas-vivas tendiam a dormir à noite como nós, as anêmonas eram mais noturnas e preferiam tirar uma soneca durante o dia.
Quando tratados com melatonina, hormônio responsável por regular o ciclo entre sono e vigília em humanos, os prejuízos ao material genético diminuíram. A suspeita dos cientistas é que os cnidários tenham um sistema para dormir semelhante ao nosso, utilizando a escuridão e a luz para saber quando é hora de descansar ou despertar.
“A privação de sono, a radiação ultravioleta e quaisquer fatores físicos, químicos ou biológicos capazes de induzir mutações aumentam os danos no DNA neuronal e a pressão do sono. O sono espontâneo e induzido facilitou a estabilidade do genoma”, afirmam os cientistas.
Segundo os pesquisadores, entender como e por que o sono evolui em animais menos complexos pode ajudar a compreender como a privação de sono influencia a ocorrência de doenças neurodegenerativas em humanos, por exemplo.
Novos estudos com seres com outros atributos mais simples, como esponjas, ou mais complexos, como peixes-zebra, devem ser realizados e trazer mais dados sobre o assunto.
