Pets da pandemia chegam à meia-idade e levantam alerta sobre saúde
Tutores adiam cuidados preventivos, enquanto geração de pets da pandemia atinge fase crítica de saúde

A geração de cães e gatos acolhidos pelas famílias durante a pandemia de Covid está atingindo a meia-idade, e fica um alerta nos lares de todo o país. Essa transição, que ocorre geralmente entre os 5 e 8 anos de vida, exige que os tutores fiquem atentos a mudanças físicas e metabólicas silenciosas para garantir a saúde e a longevidade dos animais.
O bloqueio emocional em lidar com o envelhecimento dos companheiros de quatro patas tem feito com que muitos responsáveis adiem exames e consultas preventivas essenciais. Agora, esses cães e gatos estão alcançando a metade da vida, momento considerado pelos veterinários como um período crucial para a realização de intervenções precoces.
As mudanças começam de forma silenciosa entre os 5 e 7 anos para cães, e entre 6 e 8 anos para gatos. Sem exames regulares, pequenas alterações de metabolismo, mobilidade e cognição passam despercebidas pelos tutores, que costumam associar o envelhecimento a sinais tardios, como pelos brancos e perda de visão.

Barreiras emocionais e o medo de encarar o futuro
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA dificuldade em abordar o envelhecimento está diretamente ligada ao forte afeto que os tutores sentem por seus companheiros. Em pesquisa realizada em março pela Royal Canin com 19 mil pessoas em todo o mundo (1.000 delas no Brasil, nas cinco regiões do país), metade dos entrevistados evita falar sobre o envelhecimento.
Entre os que preferem não abordar o assunto, 67% afirmam que pensar nisso causa muita tristeza, enquanto 38,7% evitam ver o pet como idoso por considerá-lo um membro da família. Além disso, 63% temem não conseguir dar o suporte necessário ao pet no futuro.
Essa barreira emocional afeta de forma direta os cuidados práticos com a saúde animal. Ao todo, 34,3% dos participantes admitem só pensar no assunto quando surgem problemas reais de bem-estar, enquanto 35,2% não adotam medidas preventivas porque o companheiro aparenta estar bem no dia a dia.

Os primeiros sinais silenciosos da meia-idade
O envelhecimento começa muito antes do aparecimento de pelos brancos, cegueira ou perda de audição.
De acordo com a veterinária Priscila Rizelo, esse processo se inicia na metade da vida, quando os pets ainda demonstram muita energia. “Como veterinários e também responsáveis por eles, sabemos como é fácil focar no presente quando os animais estão bem e o quanto pensar neles chegando à maturidade pode ser angustiante”, explica.
Priscila reforça que a mudança de hábitos é o caminho ideal para proteger o bem-estar dos cães e gatos. “Iniciar check-ups e conversas de forma preventiva é a chave para garantir não apenas uma vida mais longa, mas com mais qualidade e saúde”, orienta a especialista. Embora a maioria das pessoas dizem fazer check-ups regulares, ainda existem pessoas que dizem que os altos custos são uma barreira para o monitoramento precoce.

Adaptação da rotina familiar e foco no bem-estar
Apesar do temor com doenças como o câncer e problemas articulares, os brasileiros já começam a compreender a importância de priorizar a saúde na maturidade. Uma nutrição específica tem grande impacto na qualidade de vida dos animais idosos, combinada com cuidados do dia a dia e check ups frequentes.
O vínculo familiar também motiva mudanças reais no cotidiano, além da adaptação da rotina da casa pelo bem estar do pet.
Isso inclui reduzir o tempo de lazer externo, passar as férias em casa e até mudar de residência para dar conforto ao bicho.
“Quanto mais cedo começamos a cuidar da saúde dos nossos pets, maiores são as chances de proporcionar mais anos de vida com qualidade”, finaliza Priscila.





