Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
É o bicho!

Injeção para evitar o cio de pets traz riscos de infecções e tumores

Uso da injeção hormonal pode ser fatal para cadelas e gatas; veterinários alertam para os perigos da aplicação sem receita

08/07/2026 02:00
Compartilhar notícia
@prostooleh / Magnific
Gato preto rajado preparado para receber vacina

Muitos tutores recorrem à chamada “vacina anti-cio” para evitar a reprodução de cadelas e gatas, mas desconhecem os perigos graves e ocultos que envolvem esse método. A injeção não é uma vacina real, e sim uma carga de progesterona de longa duração que bloqueia os sinais físicos do ciclo reprodutivo e age de forma agressiva no organismo. A facilidade financeira e a falta de informação sobre os riscos faz com que o produto seja usado de forma indiscriminada há anos no Brasil.

De acordo com a professora Valeska Rodrigues, o acesso facilitado em pet shops e agropecuárias agravou a situação, permitindo a aplicação por atendentes ou até pelos tutores. O uso errado do hormônio, principalmente quando o animal já está gestante ou demonstra sinais de cio, pode trazer complicações fatais, pois impede o trabalho de parto correto, matando os filhotes no útero.

Atualmente, a medicina veterinária apoia novas legislações, como a recém-sancionada em Florianópolis (SC), que restringe o comércio direto de balcão sem prescrição médica.

Trata-se de um passo fundamental para o bem-estar animal, levando os tutores a buscarem orientação profissional antes de medicarem os animais de estimação.

Imagem colorida de veterinária segurando cachorro salsicha na mão
Especialistas alertam que a consulta com um veterinário é o único caminho seguro para planejar a contracepção dos animais. A cirurgia de castração continua sendo uma saída melhor que as injeções hormonais

A desinformação sobre a “vacina” e seus riscos

O nome do produto confunde os tutores de animais. Valeska Rodrigues esclarece que chamar o medicamento de vacina é um termo totalmente equivocado, já que a vacina é usada para desenvolver a imunidade contra doenças infecciosas.

A especialista explica que o nome se popularizou apenas pelo formato injetável, tratando-se na verdade de uma injeção hormonal baseada em progesterona, uma molécula de longa duração que imita a gestação e bloqueia o sangramento e o inchaço da vulva.

Infecções, tumores e a rotina grave nos consultórios

Na rotina clínica, as complicações são frequentes, incluindo infecção uterina com acúmulo de pus, morte fetal e tumores mamários.

A veterinária pontua que as gatas sofrem, também, com a hiperplasia mamária, caracterizada pelo “crescimento exagerado, doloroso e inflamatório do tecido mamário devido à extrema sensibilidade do tecido à progesterona”. Há inclusive casos raros em consultório de machos que desenvolveram a condição porque foram medicados por tutores que pensavam que eles eram fêmeas.

Imagem colorida de cachorro em maca de consultório
Apesar de conhecida como “vacina anti-cio”, a injeção hormonal não é um imunizante e pode causar graves infecções uterinas e morte fetal.

O volume de animais que chegam em estado grave ou necessitando de cirurgia de emergência devido aos efeitos dessa injeção é preocupante e a especialista ressalta que a grande maioria desses casos ocorre por pura falta de informação. O atendimento de cadelas com tumores de mama e gatas sofrendo com dores intensas nas mamas é frequente nos hospitais veterinários.

Restrições de venda e a segurança definitiva da castração

A indicação médica, em detrimento da “vacina hormonal”, é a castração cirúrgica. O resultado da cirurgia preventiva em um animal jovem e saudável é infinitamente superior e mais seguro do que operar emergencialmente um pet idoso e debilitado por infecções.

A castração oferece prevenção contra o câncer de mama se for realizada antes do terceiro cio do animal.

Para os tutores que enfrentam dificuldades financeiras, a recomendação é buscar campanhas gratuitas ou de baixo custo promovidas pelo governo, ONGs e centros de controle de zoonoses. 

A professora do curso de medicina veterinária da Unifran conclui com um alerta para os tutores: “Procure sempre um veterinário quando tiver dúvidas. Nunca medique seu amigo de quatro patas por conta própria ou por indicação de leigos.”