Mercado livre de energia: falta de informação ainda é grande obstáculo
Metrópoles reuniu especialistas para debater e tirar dúvidas sobre como migração para o mercado livre de energia pode beneficiar empresas

“Mais de 84 mil empresas já migraram para o mercado livre, segundo boletim da Abraceel/Aneel. Os demais empresários estão perdendo a oportunidade de economizar”, afirmou Rita Knop, diretora comercial da Neoenergia em negócio liberalizado, durante o talk “Mercado livre de energia: como fazer a melhor escolha sem risco para o seu negócio”.
Para contextualizar o dado apresentado pela diretora, é importante frisar que, no Brasil, o mercado livre de energia já é uma realidade e as empresas elegíveis podem escolher os próprios fornecedores de energia, além de negociar os contratos de maneira individualizada.
Até dezembro de 2023, somente grandes empresas, com custo mensal de R$ 140 mil em média, podiam aderir. Já em 2024, com a publicação da Portaria nº 50/2022 do Ministério de Minas e Energia, todos os consumidores conectados em média e alta tensão passaram a poder ingressar no mercado livre e escolher o respectivo fornecedor.
Para ter o direito de ser um consumidor livre, a empresa precisa estar conectada na rede de alta tensão (o chamado Grupo A) e ter um transformador instalado na unidade consumidora.
Em maio de 2026, a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) registrou 84.523 unidades consumidoras dentro do ambiente de mercado livre de energia, sendo 77% da geração feita por meio de fontes renováveis alternativas, como solar e eólica.
Esse aumento representa uma redução da dependência de combustíveis fósseis e contribui para a descarbonização da economia.
Com o avanço da modalidade e a proximidade da liberação do mercado livre para o consumidor de baixa tensão, torna-se indispensável esclarecer as dúvidas e entender todas as vantagens dessa migração.
A abertura do mercado para os consumidores de baixa tensão das classes industrial e comercial deve ocorrer até novembro de 2027. Para os consumidores residenciais, essa possibilidade está prevista apenas para novembro de 2028.
Por isso, Rita Knop e Henrique Severien, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Distrito Federal (ABIH-DF), foram convidados para debater os critérios para a escolha de fornecedores e as estratégias para garantir bons negócios no talk promovido pelo Metrópoles em parceria com a Neoenergia.

Rita Knop ressaltou que o aumento dessa migração amplia a concorrência e transforma a relação entre empresas e consumidores. “Nessa condição, o cliente pode negociar o preço da energia. Isso sem contar a previsibilidade que se tem do quanto vai pagar pelo período contratado.”
“Muitas empresas já podem escolher o fornecedor de energia e isso vai ser algo que todos os consumidores terão o direito de fazer. Estamos vivendo um processo histórico para o mercado de energia, e essa liberação gradual permite uma operação ainda mais assertiva”, ponderou.
Contudo, ela aponta os riscos da migração: “No Brasil, ainda somos jovens nesse ambiente, mas já vemos algumas empresas que não estão conseguindo honrar seus contratos. Isso é ruim para o ecossistema, mas, principalmente, é ruim para o cliente, que pode ficar sem energia”.
Nesse contexto, ela destaca que a Neoenergia possui “um time de consultores que entende a demanda de cada cliente para propor uma migração personalizada, com um contrato que atende às necessidades, propõe melhorias e cuida de todo o processo burocrático e transitório, com total transparência e flexibilidade”.

Para Henrique Severien, a migração para o mercado livre de energia foi um grande marco para o setor hoteleiro, um dos segmentos com maior consumo energético, além da necessidade de um fornecimento seguro.
“O consumo de energia representa uma média de 6% dos custos operacionais de um hotel. Nosso primeiro contato com o mercado livre de energia foi em 2009 e o que mais nos atraiu foi a previsibilidade. Tivemos a opção de ter uma tarifa linear ou decrescente; escolhemos a segunda opção e isso impactou positivamente os negócios”, observou.
Severien salientou que um dos principais obstáculos para a migração era a confiabilidade, mas, com toda a assistência oferecida pela Neonergia, essa questão foi superada. “Hoje nos arrependemos de não termos feito um contrato de 20 anos”, brincou.
O empresário ponderou ainda sobre a possibilidade de congelamento de tarifa, o que pode ser um recurso necessário em situações adversas ou devido à sazonalidade que afeta o setor.
Sobre a questão da confiabilidade, Rita fez questão de deixar algumas dicas ao contratar uma empresa para prestar esse serviço:
- Verifique se a empresa é geradora da própria energia, pois ela será capaz de garantir o fornecimento contratado.
- Avalie a estrutura financeira para saber se o preço que ela oferece é viável conforme a situação da empresa.
Rita ainda explicou que a migração leva em média seis meses para ser concluída e que, a partir da autorização do cliente, toda a parte documental é resolvida pela Neoenergia.