Demétrio Vecchioli

O que são, em detalhes, R$ 8 bilhões em ativos que BRB pôs à venda

BRB negocia venda de ativos que havia comprado do Master. Metrópoles detalha o que são produtos que somam R$ 8 bilhões

atualizado

metropoles.com

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KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
BRB - Metrópoles
1 de 1 BRB - Metrópoles - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

O BRB anunciou na segunda-feira (20/4) que assinou memorando de entendimento com a Quadra Capital para vender ativos que adquiriu em operações com o Banco Master. Mas que ativos são esses?

Como já revelou o Metrópoles, um bloco tem somente carteiras de varejo, como as do Credcesta. Os demais têm empréstimos de grande monta, Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) e participação em fundos.

A partir de documentos obtidos com exclusividade, a coluna encontrou R$ 8,138 bilhões em aquisições destes três tipos de ativos feitas pelo BRB junto ao Master, concentradas entre junho e setembro de 2025. Boa parte disso são negócios do Master que o próprio BRB classificou como “heterodoxos”.

São ações de empresas como Ambipar, Oncoclínicas, Biomm e Aliança Saúde, participações em empreendimentos e fundos imobiliários, sociedade em empresas conhecidas do mercado e CRIs para hotéis e Cédulas de Crédito Bancário (CCB) diversas. Negócios já conhecidos, outros que ainda não haviam sido revelados.

O fato de terem custado cerca de R$ 8 bilhões não significa que esses ativos valem R$ 8 bilhões hoje, nem que foram precificados assim na transação com a Quadra Capital.

Ações na Bolsa de Valores

Ambipar (AMBP3) – Os fundos de investimento Kyra e Naples, comprados por R$ 1,6 bilhão, concentravam cerca de 7,5% das ações da Ambipar em julho. A empresa está em recuperação judicial e tem valor de mercado de cerca de R$ 370 milhões.

Oncoclínicas (ONCO3) – Duas transações deram ao BRB o controle sobre 20% das ações da Oncoclínicas. Primeiro, o banco pagou R$ 317 milhões em uma CBD do então CEO da empresa, Bruno Ferrari, que deu como garantia todas as ações dele na empresa. Depois, o BRB comprou por R$ 522 milhões uma participação de 12% na Oncoclínicas, a partir dos fundos Tessália e Quiron. A empresa tem valor de mercado de R$ 1,4 bilhão.

Biomm (BIOM3) – A partir do fundo Cartago, o BRB comprou cerca de 26,20% do capital social da Biomm por R$ 259 milhões. A empresa tem valor de mercado de R$ 1,06 bilhão.

Aliança Saúde (AALR3) – Ao comprar as quotas dos fundos Yvrac e Saúde Crédito Privado, o BRB na prática adquiriu, por R$ 208 milhões, 20% do controle acionário da Alliança Saúde (antiga Alliar), empresa avaliada em cerca de R$ 1 bilhão.

Fundos Imobiliários

FII Macam (BLUE11) – O BRB tem 49,9% de participação no fundo, que investe na Blue Malls SA, especializada em shoppings. No fim de março, informou patrimônio líquido de R$ 470 milhões. O portfólio, na época da compra, incluía os “Boulevard Shopping” de Vila Velha (ES), Brasília e Londrina (PR), uma fatia minoritária do Passeio das Águas, em Goiânia (GO), e um greenfield (projeto) em Parnamirim (RN). O endividamento do Blue Malls, contudo, chegava a R$ 408 milhões em meados do ano passado.

FII Brazil Realty (BLZ11) – Em duas operações, o BRB comprou 100% das quotas do fundo investigado pela CVM por investir em empresas de capital fechado ligadas a Vorcaro e seus familiares. Entre os ativos estão um terreno Contagem (MG) que foi reavaliado em R$ 300 milhões (até então valia R$ 76 milhões), 45% de um greenfield incipiente de um conjunto residencial do Minha Casa Minha Vida em Nova Lima (MG) e 30% de um projeto hospitalar na mesma cidade, em sociedade com a irmã e o pai de Daniel Vorcaro.

FII CMX Realty III – O BRB pagou R$ 118 milhões por um fundo que detém tanto um terreno em Brumadinho (MG) quanto o projeto de construção de um empreendimento imobiliário lá, o “Pedra Histórica”. O UOL revelou que o terreno custou R$ 22 milhões a Vorcaro (e não recebeu melhorias) e que o projeto está embargado.

FII Iron – Já depois da liquidação do Master, em 25 de novembro, o BRB formalizou o recebimento de aproximadamente 6,27% das cotas do Iron, fundo com patrimônio de R$ 483 milhões. O FII é dono do terreno em São Paulo onde foi construído o São Paulo Surf Club, uma piscina de ondas artificiais.

Empresas não listadas na Bolsa

Grupo Alife Nino – Ao adquirir, por R$ 350 milhões, a totalidade das ações do fundo Strelitzia FIP, o BRB passou a ser dono de 39% do Grupo Alife Nino, tido como um dos 10 maiores do setor de food service no Brasil, com mais de 100 unidades próprias.

Stellcorp – Também por R$ 350 milhões, o BRB comprou, a partir do fundo FIP SH, 30% das ações da Stellcorp, empresa de casas modulares comandada por Roberto Justus.

Empreendimentos imobiliários em São Paulo

Novo Bairro – O BRB detém, a partir de uma cadeia de fundos e empresas, uma participação de 14% em um projeto imobiliário de luxo na região do Jockey, em São Paulo. A compra custou R$ 300 milhões. Paralelamente, o BRB também adquiriu, por mais R$ 306 milhões, seis CCB que financiaram a compra dos imóveis que darão lugar ao empreendimento. Os próprios imóveis foram dados em garantia.

Cidade Matarazzo – O BRB comprou cotas de dois fundos que levam ao mesmo lugar: a BM Varejo S.A, que representa o empresário francês Alexandre Allard no complexo Cidade Matarazzo, em São Paulo. Com a FIP Lotus, pagou R$ 84 milhões para comprar 3,97% do capital social da companhia. Já a transação da FIP Matarazzo, por R$ 176 milhões, nem a área de risco do BRB entendeu: o Master ofertou 100% das cotas do fundo, que informava à CVM ter patrimônio de R$ 1,6 bilhão, sendo que um banco detinha só 4,22% das cotas.

Campos do Jordão – O BRB comprou três CDBs da Sena Construções, que atua no Paraná e em São Paulo. Os empréstimos foram tomados para financiar um condomínio em Campos do Jordão, próximo ao hotel de luxo Botanique (tido como de Daniel Vorcaro), e outro em Itu, na Fazenda Flamboyant. Entre as garantias estão 226 lotes em Campos do Jordão e duas fazendas em Itu.

FIDC

Jeitto – Em julho de 2025, o BRB pagou R$ 492 milhões pela maior FIDC administrada pelo Master, da Jeitto, fintech de crédito pessoal. Em março, a Tercon renunciou à gestão do fundo, que fechou o primeiro trimestre com R$ 8 milhões em ativos e R$ 1,029 bilhão em créditos inadimplentes.

CRI

Wish – O BRB comprou as séries A e B deste CRI, originalmente do Master. A primeira, de R$ 204 milhões, com vencimento em abril passado. A segunda, de R$ 170 milhões, com prazo de 157 meses. Entre as garantias estão um hotéis em Foz do Iguaçu (PR), Gramado (RS), Canoas (RS) e Natal (RN).

Cumbuco – CRI para financiar a construção de um condomínio de médio/alto padrão em Cumbuco (CE), com 420 unidades e VGV potencial de R$ 778,5 milhões. O BRB comprou a Série A de R$ 350 milhões, que vence em abril/27.

Laguna – CRI para aquisição e expansão do resort residencial no modelo de timeshare Dom Pedro Laguna, localizado em Aquiraz (CE), cidade cearense onde fica o Beach Park. Lançado em 2011, o empreendimento tinha 4% das frações vendidas quando o BRB comprou a Série A, de R$ 300 milhões, com vencimento em julho/27.

Gramado – CRI para aquisição dos empreendimentos multipropriedade “Bella Gramado” e “Exclusive Gramado”, ambos em Gramado, pertencentes a um grupo que entrou com pedido de recuperação judicial em 2023. Série A de R$ 300 milhões, com vencimento em julho/27.

Caldas Novas – CRI para aquisição da controladora do Praias do Lago Eco Resort, em Caldas Novas (GO), mais um projeto imobiliário do tipo multipropriedade, com 517 unidades habitacionais. O BRB comprou a Série A, de R$ 297 milhões, que vence em outubro/27.

Trancoso – O BRB comprou dois financiamentos para a construção de um hotel no Condomínio Golf Boutique em Trancoso (BA). Inicialmente, adquiriu a Série A de R$ 327 milhões de um CRI, com vencimento em junho/26. Depois, comprou um CDB de R$ 180 milhões de capital de giro para o mesmo empreendimento, com amortização em parcela única também em junho.

Lorde – Também é uma operação conjunta. O BRB adquiriu uma fatia de R$ 180 milhões da Série A de um CRI da Lorde, com vencimento em janeiro de 2027, para financiar a compra de participação nas construtoras Pride e ADN, voltadas a imóveis de baixa renda. Paralelamente, adquiriu R$ 197 milhões de uma carteira de crédito para capital de giro da Lorde.

OBS: todos os CRI têm como agente fiduciário a Qore, que “herdou” os fundos da Reag e é comanda pelo empresário Marcos Jorge. Uma empresa dele, a Casamata, é ré no processo aberto pelo BRB contra as pessoas, empresas e fundos acusadas de fraude para assumir 23,5% do controle acionário do banco.

CDB

Frigorífico RKO – Como já contou a coluna, o BRB comprou duas vezes a mesma CCB da RKO Alimentos, um frigorífico do Mato Grosso. A empresa alega, na Justiça, que quitou a dívida antes de a CDB ser vendida integralmente para o BRB, por R$ 324 milhões, em julho.

Tavira Empreendimentos – O BRB pagou R$ 200 milhões em uma fatia de uma CCB de capital de giro para a Tavira Empreendimentos, que planejava construir sete edifícios de alto padrão em São Paulo e um condomínio em Campinas. Entre as garantias, o imóvel onde está o Lake Vilas Charm Hotel, em Amparo (SP).

Encontro das Águas – O BRB adquiriu por R$ 135 milhões um CCB do braço do Grupo RMEX proprietário do resort “Encontro das Águas”, em Caldas Novas (GO). O empréstimo visava a ampliação do empreendimento.

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