Credores tomam ações de Nelson Tanure na Alliança e na Light. Entenda
Credores que financiaram Nelson Tanure para a compra da Ligga Telecom decidiram tomar parte das ações que haviam sido dadas como garantia
atualizado
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Credores que financiaram o empresário Nelson Tanure para a compra da Ligga Telecom decidiram tomar parte das ações da Light e da Alliança que haviam sido dadas como garantia para buscar a quitação da dívida. Com isso, Tanure perdeu parte dos seus papéis nas duas empresas.
As informações foram publicadas, inicialmente, pela coluna Pipeline, do jornal Valor Econômico. Neste sábado (7/2), Light e Alliança informaram ao mercado mudanças em suas bases acionárias.
O que aconteceu
Na Light, o fundo de investimento Opus passou a deter 36,9 milhões de ações ordinárias, o que corresponde a uma participação de 9,9% no capital social da empresa.
A Alliança Saúde (antiga Alliar) também informou que foi notificada acerca da execução de uma garantia ligada a créditos que surgiram a partir de um adiantamento feito no passado para um futuro aumento de capital. Após essa execução, o Opus passou a deter 74,8 milhões de ações, o que representa 49,11% do capital da Alliança.
Segundo o Valor, instituições como BTG Pactual, Prisma, Farallon e Santander têm cerca de R$ 1,2 bilhão a receber de Tanure. Em dezembro do ano passado, a Alliança havia informado que vinha negociando com o BTG para analisar uma possível contratação do banco para assessoria em assuntos estratégicos.
Até então, Nelson Tanure possuía 18,94% da Light, que vale R$ 475 milhões, e 66,81% da Alliança, cujo valor em bolsa é de R$ 636 milhões.
Atraso no pagamento de salários
No fim de janeiro, o Metrópoles informou que o grupo Alliança Saúde e Participações, de Tanure, tem atrasado o pagamento de salários de médicos que atuam nos principais laboratórios da rede desde dezembro passado.
Segundo relatos, cerca de dez colaboradores do laboratório Cura tiveram seus salários atrasados no fim de 2025 e ao menos outros dois grandes laboratórios do grupo passaram a adiar o prazo para os depósitos em janeiro deste ano — além do Cura, funcionários dos laboratórios CDB e Delfim também sofreram atrasos em seus vencimentos.
Em relação ao CDB, o pagamento que deveria ter sido realizado em 20 de janeiro foi feito dez dias depois. Já os médicos do Delfim deveriam ter sido pagos em 8 de janeiro, mas receberam os vencimentos 12 dias depois.
Em nota, na ocasião, a Alliança afirmou que realizou, no início do ano, um “ajuste pontual nos calendários de pagamento de prestadores médicos, com o objetivo de padronizar datas entre as empresas do grupo”. “O processo foi comunicado aos prestadores e não caracteriza inadimplência nem descumprimento contratual”, disse a empresa.
Quem é Nelson Tanure
Conhecido como “devorador de empresas” devido à sua atuação em companhias à beira do colapso financeiro, o empresário Nelson Tanure, controlador do grupo Alliança desde 2022, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 14 de janeiro, que mirou o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O empresário é investigado por suposto envolvimento em uma rede de fundos e operações financeiras associadas à instituição. Na ação, Tanure teve o seu celular apreendido.
A defesa do investidor nega as acusações e afirma que ele não possui vínculo societário com o Master, com o qual manteve uma relação apenas de cliente. Diz também que o empresário “tem décadas de experiência no mercado de valores mobiliários” e que “jamais enfrentou qualquer processo criminal” relacionado à sua atuação empresarial.
