Andreza Matais

Fortuna de Nelson Tanure pode alcançar R$ 15 bilhões em paraíso fiscal

Investigado no caso Master, Tanure teria patrimônio mantido no exterior por meio de estruturas financeiras que simulam investimento no país

atualizado

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Nelson Tanure
1 de 1 Nelson Tanure - Foto: Reprodução/Linkedin

Investigado em um esquema envolvendo o Banco Master, o empresário Nelson Tanure tem uma fortuna de ao menos R$ 15 bilhões escondidos em paraísos fiscais na Europa.

A coluna apurou que Tanure alterou seu domicílio fiscal e passou a conduzir seus negócios por meio da Trustee Holding Financeira. A corretora atua como se representasse um investidor estrangeiro anônimo no Brasil.

O patrimônio de Tanure pode praticamente dobrar caso as empresas nas quais investiu obtenham retorno — um cenário considerado improvável, já que muitas enfrentam dificuldades de caixa. Seu ativo mais sólido tem origem na petrolífera Prio, antiga PetroRio.

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Maurício Quadrado
Augusto Lima, ex-sócio do Master
Senador Jaques Wagner (PT)
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Nelson Tanure, alvo da PF
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Nelson Tanure, alvo da PF

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Maurício Quadrado
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Maurício Quadrado

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Augusto Lima, ex-sócio do Master
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Augusto Lima, ex-sócio do Master

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Senador Jaques Wagner (PT)

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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

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Os aportes do empresário são amplamente conhecidos, pois ele próprio os divulga. O caminho do dinheiro, no entanto, permanece nebuloso. Alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, Tanure passou a ter seus bens rastreados pela Polícia Federal. A investigação apura uma suposta fraude fiscal atribuída ao Banco Master, estimada em R$ 12 bilhões. Em linhas gerais, a instituição vendia gato por lebre.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de bens de Nelson Tanure, mas não informou o valor congelado.

Uma das suspeitas é que Tanure atuaria como sócio oculto do Banco Master. A coluna apurou que ele aportou R$ 2,5 bilhões ao longo de quatro anos na instituição comandada por Daniel Vorcaro, utilizando o banco para estruturar e viabilizar seus negócios.

Embora não figurasse formalmente no quadro societário, Tanure mantinha participação na instituição financeira, atuando como algo além de um simples cliente.

Após se tornar alvo da Polícia Federal, a defesa do empresário afirmou, em nota, que ele jamais manteve qualquer relação societária com o Banco Master, ressaltando que “atuou apenas como cliente da instituição”.

Como Tanure chegou ao Master

Tanure chegou ao Master por intermédio de Maurício Quadrado, controlador da Trustee Holding Financeira — a empresa que oculta sua participação em negócios no Brasil. Ambos se conheciam desde a época em que Quadrado trabalhava no Bradesco, onde Tanure era seu cliente.

Quadrado foi responsável por estruturar o braço de investimentos do Master e levou consigo o antigo cliente. Até então, o banco atuava exclusivamente nos segmentos de varejo e crédito, área comandada por Augusto Lima, outro alvo das investigações (leia mais abaixo).

Com o tempo, a relação entre Quadrado e Augusto Lima se deteriorou em razão de divergências de estilo e visão estratégica. O ambiente tornou-se insustentável, levando Quadrado e Tanure a se desligarem do banco. Isso, contudo, não significou o rompimento das relações comerciais com o Master.

Mesmo após a saída, a dupla continuou realizando operações com a instituição. Uma delas envolveu a compra da Emae, companhia de energia e água de São Paulo.

Ações valorizadas da Ambipar foram usadas por Tanure como garantia no negócio com a estatal. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investiga o movimento que elevou as ações da empresa em 800% num período de apenas três meses. A desvalorização veio tão rápida quanto.

Críticos do empresário afirmam que ele se desentendeu com Tércio Borlenghi, fundador da Ambipar, ao se apropriar de R$ 200 milhões do caixa da empresa sem aviso prévio.

Augusto Lima, o braço do PT no Master

Desafeto da dupla Quadrado-Tanure, o ex-CEO do Banco Master, Augusto Lima, é apontado como o elo entre a instituição financeira e políticos do PT. Natural da Bahia, foi ele quem estruturou um negócio que impulsionou o crescimento do banco.

Ao ingressar nos círculos mais influentes da Bahia, aproximou-se do governo estadual e conseguiu viabilizar um acordo considerado vantajoso com o então governador Rui Costa (PT), hoje ministro da Casa Civil do governo Lula.

Nesse ambiente de proximidade política, o então governador incluiu no mesmo pacote um supermercado criado ainda no governo de Antônio Carlos Magalhães (ACM) para competir com o grupo Paes Mendonça, seu desafeto. O estabelecimento vendia alimentos a preço de custo para servidores estaduais por meio do programa Credcesta.

Sem gerar lucro, o empreendimento tornou-se um passivo. Ainda assim, Augusto Lima identificou uma oportunidade no programa que oferecia aos funcionários públicos um cartão para compra de alimentos. Após uma licitação favorável, tornou-se o controlador da operação.

Assim se consolidou a relação umbilical entre Augusto Lima e o PT da Bahia, estabelecendo um braço político e financeiro do partido. O líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (BA), é apontado como o petista mais próximo de Augusto Lima — relação que, segundo revelou o Metrópoles, causa apreensão no Palácio do Planalto pelos favores que o Master prestou ao político, incluindo a contratação pelo banco de indicados do petista por valores milionários.

Correção 

Versão anterior deste texto trouxe a alegação incorreta de que Augusto Lima teria sido casado com Claudia Calmon de Sá. No entanto, isto nunca aconteceu. Augusto Lima nunca foi casado com Claudia Calmon de Sá. Além disso, Claudia nunca teve qualquer relação pessoal com as pessoas mencionadas nesta reportagem.

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