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Veja qual o melhor exercício para quem sofre de problemas no coração
A coluna conversou com dois cardiologistas para entender qual exercício pode ser considerado o mais seguro para a saúde do coração; entenda
atualizado
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Quem sofre de condições associadas ao coração precisa de orientação médica antes de incluir exercícios na rotina. Em busca de uma vida mais saudável, uma dúvida comum entre iniciantes é entender qual atividade é mais segura: exercícios aeróbicos, como corrida e caminhada, ou musculação?
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, os cardiologistas Ádila Schuster e Fabrício da Silva explicaram que, como costuma acontecer na medicina, a resposta está longe de ser excludente — e a ciência reforça essa visão.
Cardio ou musculação? Saiba qual exercício é o melhor para a saúde do coração
De acordo com o cardiologista Ádila Schuster, do espaço Forlife, tanto o cardio quanto a musculação têm papéis importantes na proteção do sistema cardiovascular, cada um atuando de forma diferente no organismo.
“Quando falamos em saúde do coração, o melhor caminho não é escolher entre cardio ou musculação, mas encontrar uma rotina que combine os dois de forma equilibrada”, explica.
Segundo o especialista, a associação dos exercícios aeróbicos — como caminhada, corrida, ciclismo e natação — à saúde cardiovascular está ligada à melhora direta da circulação sanguínea e da capacidade cardiorrespiratória.
“Eles ajudam a reduzir a pressão arterial, a melhorar os níveis de colesterol e a aumentar a eficiência do coração ao bombear o sangue”, enfatiza.
Por outro lado, Ádila Schuster defende que a musculação, mesmo que ainda seja frequentemente associada apenas à estética ou ao ganho de massa muscular, vem ganhando destaque por conta dos benefícios metabólicos que proporciona.
Um complementa o outro
O cardiologista Fabrício da Silva, da Amplexus Saúde Especializada, emenda que é justamente a diferença entre os estímulos que potencializa os ganhos para a saúde.
“O ideal é associar exercícios aeróbicos ao treino de força, porque eles atuam em mecanismos distintos. Enquanto o cardio melhora diretamente o condicionamento do coração e dos pulmões, a musculação ajuda a reduzir fatores de risco importantes, como obesidade, diabetes e colesterol elevado”, afirma.

Essa visão é respaldada por um posicionamento recente da American Heart Association. A associação aponta que o treinamento de força, além de aumentar massa muscular e força, também impacta positivamente fatores de risco cardiovasculares, como pressão arterial, glicemia, colesterol e composição corporal. O método é considerado seguro e eficaz tanto para pessoas saudáveis quanto para aquelas com doenças cardiovasculares.
“Além disso, o documento mostra que a combinação entre exercícios aeróbicos e musculação tende a gerar benefícios ainda mais expressivos, com reduções mais significativas nos fatores de risco e no risco de mortalidade cardiovascular quando comparada à prática isolada”, reforça Fabrício da Silva.
Os exercícios devem ser personalizados
Outro ponto de destaque é que nenhum exercício deve ser feito de maneira generalizada. Segundo Ádila Schuster, não existe uma recomendação única que sirva para todos. “A escolha do exercício ideal deve levar em consideração idade, condicionamento físico, histórico de saúde e possíveis doenças já existentes”, destaca.
De acordo com o médico, tanto pessoas sedentárias quanto aquelas que já se exercitam, porém, buscam evoluir, devem passar por avaliação médica e contar com orientação profissional.
“É fundamental ter uma prescrição adequada e acompanhamento especializado, principalmente em treinos de maior intensidade”, alerta.

Fabrício da Silva acrescenta que o cuidado deve ser ainda maior em pessoas com fatores de risco ou histórico de doenças cardiovasculares. “Nesses casos, o mais indicado é iniciar com exercícios aeróbicos de intensidade leve a moderada, sempre com liberação médica. A musculação também pode ser incluída, mas de forma progressiva e supervisionada. O mais importante é respeitar os limites do paciente e garantir segurança durante a prática”, orienta.
Para quem está começando, a recomendação segue diretrizes de entidades internacionais e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC): pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, associados a dois dias de treino de força.
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