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Horário do jantar impacta saúde do coração e intestino, alerta médico
O médico ouvido pela coluna destaca que o horário do jantar pode ter repercussões cardiovasculares; entenda
atualizado
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Com uma agenda cada vez mais apertada, o horário do jantar pode se tornar um desafio. Entre um café da manhã corrido e um almoço no meio da tarde, comer pouco tempo antes de dormir pode causar impactos negativos duradouros na saúde do organismo.
Consultado pela coluna Claudia Meireles, Guilherme de Oliveira Bessa, cirurgião vascular do Hospital Santa Lúcia Gama, explica que, após as refeições, é normal ocorrer um pequeno aumento na frequência cardíaca e na pressão arterial.
“Isso é natural e não representa perigo para pessoas saudáveis. Entretanto, em alguns tipos de doenças cardiovasculares, como aterosclerose e insuficiência cardíaca, essa pequena alteração pode aumentar o risco de angina, infarto ou descompensação cardíaca”, diz.
A longo prazo, fazer a refeição tarde da noite pode trazer repercussões cardiovasculares, principalmente como consequência de obesidade e diabetes, e “não necessariamente por afetar diretamente os vasos sanguíneos, a pressão arterial ou o coração”, explica.
Horário do jantar
O médico explica que o horário do jantar ideal varia conforme o indivíduo, já que cada pessoa tem um contexto metabólico próprio. “Muitos dos nossos hormônios têm um ciclo que varia entre o dia e a noite. Entre eles estão o cortisol, o glucagon e a insulina. Por isso, não há uma resposta única sobre o melhor horário para se alimentar, até porque cada pessoa tem características muito particulares”, destaca.
Entretanto, o especialista afirma que o mais saudável é fazer a última refeição do dia de duas a três horas antes de dormir. “Se, por exemplo, a pessoa tem o hábito de dormir antes das 23h, é mais saudável que finalize a última refeição, no máximo, até às 21h”, explica.

O que acontece quando comemos tarde
O médico destaca que é comum haver desconforto ao se alimentar tarde da noite, próximo ao horário de dormir. Os dois principais motivos são: o esvaziamento gástrico é mais lento no período noturno e o esfíncter esofagiano — anel muscular na base do esôfago que atua como válvula e impede que o ácido estomacal retorne ao esôfago — torna-se menos eficiente. “Pode ocorrer refluxo, a famosa queimação, além de desconforto gástrico, dores abdominais e piora da qualidade do sono”, afirma.
Quanto ao que consumir antes de dormir, o especialista destaca que os carboidratos são mais bem tolerados pelo corpo quando ingeridos pela manhã, momento em que o organismo está mais sensível à insulina. “Em pessoas com resistência à insulina, diabetes ou sobrepeso e obesidade, priorizar o consumo de carboidratos mais cedo pode ajudar no controle da glicose”, diz.
O médico pontua ainda que há consenso de que trabalhadores noturnos têm maior propensão ao desenvolvimento de desregulação metabólica, obesidade e até diabetes. Dependendo do horário em que a pessoa vai dormir, alimentar-se tarde da noite pode favorecer desconfortos e problemas intestinais.

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