
Claudia MeirelesColunas

Governo britânico avalia tirar príncipe Andrew da linha de sucessão
Após prisão, o governo do Reino Unido considera remover Andrew da linha de sucessão ao trono britânico
atualizado
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O governo do Reino Unido estuda uma medida inédita: apresentar ao Parlamento um projeto de lei para excluir o príncipe Andrew da linha de sucessão ao trono. A discussão ganhou força após a prisão do irmão mais novo do rei Charles III, detido sob suspeita de má conduta em cargo público, conforme noticiado pela BBC.
Segundo a emissora, qualquer iniciativa legislativa dependerá da conclusão das investigações policiais. Andrew, de 66 anos, ainda está na oitava posição na ordem sucessória, apesar de já ter sido afastado da vida pública e de ter perdido títulos militares e honrarias nos últimos anos.

Filho da falecida rainha Elizabeth II, Andrew chegou a ocupar o segundo lugar na linha de sucessão quando nasceu, ficando atrás apenas de Charles.
Com o crescimento da família real ao longo das décadas, foi sendo gradualmente deslocado e hoje aparece atrás, inclusive, dos filhos do príncipe Harry: príncipe Archie e princesa Lilibet, ambos de Sussex.
A prisão ocorreu na propriedade de Sandringham, onde ele estava hospedado. A investigação envolve alegações de que Andrew teria compartilhado informações confidenciais com o financista Jeffrey Epstein durante o período em que atuou como enviado comercial do Reino Unido, entre 2001 e 2011.

O relacionamento com Epstein já havia provocado seu afastamento das funções oficiais em 2019, em meio a forte pressão pública. O príncipe nega qualquer irregularidade.
Para que a exclusão da linha de sucessão se concretize, seria necessária a aprovação de uma lei específica pelo Parlamento britânico, além do aval dos demais reinos da Commonwealth, dos quais o monarca britânico é chefe de Estado. Downing Street já havia indicado anteriormente que não pretendia alterar as regras sucessórias, o que torna o cenário ainda incerto.
Embora rara, a retirada de membros da família real da ordem de sucessão já ocorreu no passado. O rei Edward VIII perdeu sua posição ao abdicar do trono em 1936. Já o príncipe Michael de Kent foi excluído ao se casar com uma católica, conforme previa a antiga legislação sucessória, sendo reintegrado anos depois com a reforma das regras em 2013.
