
Claudia MeirelesColunas

Escândalo Andrew aprofunda crise e deixa mancha irreparável na realeza
Na manhã de quinta-feira (19/2), o ex-príncipe Andrew foi conduzido à delegacia sob acusações de má conduta no exercício do cargo público
atualizado
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Às 8h de quinta-feira (19/2), a realeza britânica assistiu a um dos capítulos mais vergonhosos de sua trajetória: a primeira prisão de um membro da família real na história moderna. No dia em que marca a chegada de seus 66 anos, o ex-príncipe Andrew foi surpreendido pela Polícia do Vale do Tâmisa e conduzido sob custódia à delegacia, enquanto Wood Farm, localizada em Sandrigham, e outros dois endereços residenciais reais em Windsor e Norfolk foram completamente revistados.
O ex-duque de York permaneceu por cerca de 11 horas sob tutela da polícia por suspeita de “má conduta no exercício do cargo público“, uma investigação relacionada ao caso de Jeffrey Epstein (1953-2019), líder de um esquema de exploração sexual de mulheres e menores de idade.
A suspeita é de que ex-príncipe passou informações secretas do Reino Unido para o magnata enquanto atuava como representante do comércio britânico, cargo que ocupou por pouco mais de uma década, entre setembro de 2001 e julho de 2011.
Por volta das 18h50, o filho da falecida rainha Elizabeth II foi visto deixando a delegacia de polícia de Aylsham, no Reino Unido, no banco de trás de um veículo. Na fotografia divulgada pelos veículos britânicos, o ex-duque aparece com um semblante assustado.

A ação ocorre pouco menos de um mês após a Justiça dos Estados Unidos divulgar cerca de 3 mil arquivos relacionados à investigação do caso Epstein, no qual constam trocas de e-mails em que Andrew compartilhou informações sensíveis da realeza, como detalhes sobre viagens oficiais e possíveis oportunidades de negócios pelo mundo.
Pouco antes do irmão do rei Charles III ser detido, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que “ninguém está acima da lei”. O chefe de governo destacou que as investigações contra o filho da rainha Elizabeth II deveriam ser conduzidas como qualquer outra e que “todos são iguais perante à lei”, declarou.
Família real surpreendida
Em um comunicado emitido após a prisão do irmão, o rei Charles III afirmou que recebeu a notícia com “profunda preocupação” e que ” o que se segue agora é o processo completo, justo e adequado. Salientou, ainda, que a questão “será investigada da maneira apropriada e pelas autoridades competentes.”
“Neste ponto, como já disse antes, eles têm nosso total e irrestrito apoio e cooperação. Deixe-me ser claro: a lei deve seguir seu curso. Como este processo continua, não seria apropriado da minha parte comentar mais sobre o assunto. Enquanto isso, minha família e eu continuaremos cumprindo nosso dever e servindo a todos vocês”, completou a majestade em nota.

Essa é a segunda vez que o rei Charles emitiu uma declaração sobre o assunto em menos de duas semanas. Sede da monarquia britânica, o Palácio de Buckingham ressaltou que estaria “pronto para apoiar” o trabalho das autoridades competentes.
Mesmo diante da situação delicada, membros da família cumpriram agenda, caso da rainha Camilla, que prestigiou um concerto na Sinfonia Smith Square, em Londres, da qual é patrona. Na saída do espetáculo, ela foi vista sorrindo e acenando para o súditos que a aguardavam no local.

Investigações contra Andrew continuam
Embora a polícia do Reino Unido ainda não tenha apresentado nenhuma acusação formal contra Andrew, a informação é que o membro da família segue sob investigação por má conduta em cargo público. De acordo com o advogado Andrew Gilmore, sócio do escritório de advocacia Grosvenor Law, à Sky News, a polícia deve agora analisar o material que foi apreendido durante as buscas nas propriedades reais.
“Eles serão processados e analisados com muito cuidado. Um dossiê será criado e compilado pela polícia, que avaliará todas as evidências”, explicou o advogado. A partir dessas informações, o processo deve ser encaminhado ao Ministério Público da Coroa e a análise poderá levar de seis meses até um ano — a depender de quantas evidências tiverem sido encontradas.
“Os advogados responsáveis pela revisão do caso pelo Ministério Público analisarão isso. E então, a partir daí, tomarão uma decisão sobre se apresentarão ou não acusação”, seguiu Andrew Gilmore. De acordo com informações do portal britânico Express, Andrew Mountbatten-Windsor pode enfrentar prisão perpétua caso seja declarado culpado.

Consequências longe do fim
Desde que a relação com o magnata Jeffrey Epstein veio à tona, Andrew vive um escrutínio público. Em janeiro de 2022, Andrew perdeu seus títulos reais — mas ainda permanece na linha de sucessão do trono. Como consequência da participação na rede de abusos sexuais de Jeffrey Epstein, também foi despejado no início de fevereiro deste ano da Royal Lodge, até então, sua residência oficial.
Relembre as acusações contra Andrew
Em 2021, Andrew foi acusado por Virginia Giuffre de tê-la obrigado a praticar relações sexuais em três ocasiões, quando tinha apenas 17 anos. Ela foi uma das principais denunciantes do esquema de abuso sexual promovido por Jeffrey Epstein, e acusou o príncipe Andrew de abuso sexual em 2021. Em documentos recentes, o príncipe também foi fotografado em uma posição comprometedora com outra jovem.

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