
Claudia MeirelesColunas

Como Andrew conheceu Epstein e as consequências da relação criminosa
Apresentados por Ghislaine Maxwell em 1999, príncipe Andrew e Epstein mantiveram amizade que rendeu condenação criminal e abalou a monarquia
atualizado
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A relação entre o ex-príncipe Andrew e o financista americano Jeffrey Epstein começou em 1999, quando foram apresentados pela socialite britânica Ghislaine Maxwell. O que inicialmente parecia mais um vínculo social dentro de círculos internacionais de elite se transformou, ao longo dos anos, em uma associação profundamente controversa.
A amizade — mantida inclusive após a condenação criminal de Epstein em 2008 — acabaria desencadeando uma crise institucional para a família real britânica, levando Andrew ao afastamento de funções públicas e a um acordo judicial milionário nos Estados Unidos.

1999: a apresentação através de Maxwell
Segundo o próprio Andrew declarou publicamente, ele conheceu Jeffrey Epstein em 1999 por intermédio de Ghislaine Maxwell. À época, Maxwell transitava com facilidade entre a aristocracia britânica e a elite financeira americana. Filha do magnata da mídia Robert Maxwell, tinha conexões tanto em Londres quanto em Nova York.
Epstein, que ainda não era figura amplamente conhecida do público, já cultivava relações com empresários, acadêmicos e figuras políticas. A aproximação com Andrew ocorreu dentro desse ambiente de eventos privados, encontros sociais e viagens internacionais.
Anos 2000: convivência em círculos de elite
Após o primeiro encontro, a convivência entre Andrew, Epstein e Maxwell passou a ocorrer em diferentes contextos sociais.
Registros e reportagens indicam que Epstein e Maxwell participaram de eventos ligados ao círculo social de Andrew no início dos anos 2000, que Andrew viajou em pelo menos uma ocasião em aeronave privada de Epstein, e que Maxwell era presença frequente em eventos sociais que incluíam membros da aristocracia britânica.
Nesse período, não havia condenação criminal contra Epstein, e a relação não era vista publicamente como problemática.

2008: a condenação de Epstein e a mudança de contexto
Em 2008, Epstein declarou-se culpado na Flórida por solicitação de prostituição de menor de idade. O acordo judicial firmado na época foi amplamente criticado por sua complacência.
A partir desse momento, qualquer associação pública com Epstein passou a ter implicações reputacionais significativas.
2010: o encontro em Nova York
Em dezembro de 2010, dois anos após a condenação, Andrew foi fotografado caminhando ao lado de Epstein no Central Park, em Nova York.
Posteriormente, Andrew afirmou que viajou aos Estados Unidos para encerrar a amizade pessoalmente. A decisão gerou críticas, especialmente porque ocorreu após a condenação criminal do financista.
Documentos judiciais divulgados anos depois indicaram que houve trocas de comunicação entre os dois até pelo menos 2011.
As acusações de Virginia Giuffre
A controvérsia ganhou dimensão global quando Virginia Giuffre afirmou ter sido traficada por Epstein e Maxwell quando adolescente e forçada a manter relações sexuais com Andrew em três ocasiões entre 2001 e 2002.
Andrew negou categoricamente as acusações.
Em novembro de 2019, concedeu entrevista ao programa Newsnight, da BBC, na qual afirmou não se lembrar de conhecer Giuffre, apesar da existência de uma fotografia em que aparece ao lado dela e de Maxwell. A entrevista foi amplamente considerada desastrosa do ponto de vista de relações públicas.

Processo civil e acordo em 2022
Em 2021, Giuffre moveu uma ação civil contra Andrew em Nova York.
O processo foi encerrado em fevereiro de 2022 por meio de um acordo extrajudicial. Andrew não admitiu culpa. O valor exato do acordo não foi oficialmente divulgado, embora tenha sido amplamente reportado que envolveu quantia significativa e doação a instituições de apoio a vítimas. O acordo evitou que o caso fosse julgado.


Consequências para Andrew
Após a entrevista à BBC em 2019, Andrew anunciou seu afastamento das funções públicas.
Em situações entre 2022 e 2025, o Palácio de Buckingham informou que ele perderia seus patronatos reais e títulos militares honorários e não utilizaria o tratamento de “Sua Alteza Real” em funções oficiais, além de não ser mais considerado um príncipe.
Andrew mantém formalmente o título de Duque de York, mas permanece afastado da vida pública oficial.
Por que a origem da relação é central?
O ponto crucial do caso não é apenas o fato de Andrew ter conhecido Epstein em 1999.
O que tornou a relação controversa foi:
- A continuidade do contato após a condenação criminal de 2008.
- A visita a Nova York em 2010.
- As acusações formais apresentadas por Giuffre.
- A gestão pública considerada falha da crise após a entrevista de 2019.
A cronologia da amizade tornou-se peça-chave na avaliação pública do julgamento e das decisões tomadas por Andrew.
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