Problema nos rins pode causar pressão alta? Cardiologista explica a relação
Cardiologista Fabrício da Silva explicou que o mau funcionamento dos rins é uma das causas menos conhecidas da pressão alta

A função renal e o sistema cardíaco trabalham juntos de forma mais próxima do que muita gente imagina e, quando um falha, o outro sente. Segundo o cardiologista Fabrício da Silva, o mau funcionamento dos rins é uma das causas menos conhecidas da pressão alta e pode criar um ciclo perigoso para o organismo.
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, o especialista explicou como essa relação funciona. Os rins desempenham um papel fundamental no controle da pressão arterial pois ajudam a regular a quantidade de água e de sódio no organismo.
“Quando o órgão não funciona adequadamente, podemos ter dificuldade para eliminar o excesso de sal e líquido, aumentando o volume de sangue circulante e, consequentemente, a pressão arterial”, alerta.
Além disso, algumas doenças do sistema renal podem ativar mecanismos hormonais que também contribuem para a hipertensão.

Como os rins podem afetar os níveis da pressão arterial?
Um dos mecanismos mais relevantes nessa relação é o sistema renina-angiotensina-aldosterona, responsável pelo controle da pressão e pelo equilíbrio de líquidos e sais no organismo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Quando há alterações na função renal, esse sistema pode ser ativado de forma excessiva, provocando contração dos vasos sanguíneos e retenção de sódio e água, o que favorece o aumento da pressão arterial. Os rins e o sistema cardiovascular estão diretamente conectados na regulação da pressão”, reforça Fabrício da Silva.

Como reconhecer o problema?
Embora a pressão arterial possa sofrer impactos diretos do mau funcionamento dos rins, identificar que o problema está relacionado ao órgão responsável pela filtragem do sangue não é tão simples quanto parece.
De acordo com o médico, a hipertensão costuma ser silenciosa, e os sintomas que levantam essa suspeita são indiretos. “Alguns achados podem levantar essa suspeita, como alterações na urina, presença de sangue ou proteína na urina, inchaço, redução da função dos rins ou uma hipertensão que surge de forma mais precoce”, comenta.
Fabrício salienta que, nesses casos, é muito difícil fazer o controle, por conta de características incomuns. “Dependendo da situação, o médico pode solicitar exames de sangue, urina e até exames de imagem para investigar uma possível causa renal”, aponta.

Sinal de alerta
Quem tem histórico de doença renal precisa redobrar a atenção com o coração. “A pressão elevada pode acelerar a perda da função dos rins, criando um ciclo em que a doença renal piora a pressão e a pressão, por sua vez, agrava a doença renal”, alerta o médico.
A situação inversa é igualmente preocupante. “A pressão arterial elevada por períodos prolongados pode lesar os pequenos vasos sanguíneos dos rins, comprometendo gradualmente sua capacidade de filtrar o sangue. Com o passar dos anos, isso pode contribuir para o desenvolvimento ou a progressão da doença renal crônica”, aponta.

Formas de prevenção
O cardiologista, então, recomenda algumas medidas para resguardar tanto o coração quanto os rins.
“É importante controlar a pressão arterial, manter níveis adequados de glicose e colesterol, reduzir o consumo excessivo de sal, não fumar, praticar atividade física regularmente, manter um peso saudável e ter uma alimentação equilibrada”, sugere.
O médico também reforça a importância de manter o acompanhamento médico em dia, para acompanhar possíveis fatores de risco, como hipertensão, diabetes ou histórico de doença renal, e realizar os exames indicados para identificar alterações precocemente.

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