
Claudia MeirelesColunas

Intestino regulado: as frutas que prendem ou soltam e como equilibrar
Efeito das frutas no intestino depende do tipo de fibra, da maturação e da hidratação, e pode variar bastante de pessoa para pessoa
atualizado
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A ideia de que algumas frutas “prendem” e outras “soltam” o intestino é popular — mas não funciona como uma regra fixa. O efeito varia conforme o tipo de fibra presente no alimento, a quantidade consumida, o nível de hidratação e até o grau de maturação da fruta.
“O intestino não responde a um único alimento isolado, e sim ao conjunto da dieta e dos hábitos diários. Classificar frutas como ‘boas’ ou ‘ruins’ para o intestino é uma simplificação”, explica o médico clínico e cirurgião geral Marcelo Bechara.

Nem toda fruta age da mesma forma
Frutas como mamão e ameixa são conhecidas por ajudar o intestino, porém, atuam de formas diferentes. O mamão contribui para a regulação por combinar fibras e alto teor de água, facilitando o trânsito intestinal. Já a ameixa, especialmente a seca, tem efeito mais laxativo.
“A ameixa contém sorbitol, que puxa água para o intestino e pode estimular a evacuação. Por isso, em excesso, também pode causar desconforto”, afirma Bechara.
A banana é outro exemplo clássico de dúvida. Quando está mais verde, tende a prender o intestino por conter maior quantidade de amido resistente. Já madura, tem efeito mais regulador.

Casca faz diferença
No caso da maçã, a forma de consumo interfere diretamente no efeito. Com casca, ela oferece mais fibras insolúveis, que ajudam o intestino a funcionar melhor. Sem casca, pode ter efeito constipante em algumas pessoas.
“A casca concentra boa parte das fibras insolúveis, que estimulam o movimento intestinal. Retirá-la pode reduzir esse efeito”, diz o médico.

Fibra sem água pode piorar
Apesar dos benefícios, consumir frutas não resolve o problema sozinho. A ingestão de líquidos é fundamental para que as fibras cumpram seu papel.
“Sem água suficiente, a fibra pode dificultar a formação do bolo fecal e até agravar a constipação. Hidratação é parte essencial do processo”, alerta.

Excesso também causa desconforto
Outro ponto importante é a quantidade. Comer frutas em excesso pode levar a sintomas como gases, estufamento e até diarreia, dependendo da sensibilidade individual.
“O consumo exagerado, especialmente de frutas com efeito laxativo ou ricas em açúcares fermentáveis, pode desregular o intestino”, explica Bechara.

O papel das fibras no intestino
As fibras alimentares são fundamentais para o bom funcionamento intestinal e atuam de formas diferentes:
- Fibras solúveis ajudam a regular o trânsito intestinal;
- Fibras insolúveis estimulam o movimento do intestino.
“O equilíbrio entre esses dois tipos de fibra é o que garante um funcionamento intestinal mais estável”, destaca.
Rotina vale mais que solução rápida
Na prática, melhorar o funcionamento do intestino envolve um conjunto de hábitos:
- Variar o consumo de frutas;
- Incluir vegetais;
- Beber água regularmente;
- Manter o corpo em movimento.
“Não existe alimento milagroso. O intestino responde à constância dos hábitos”, reforça.
Quando investigar?
Alterações intestinais persistentes devem ser avaliadas, principalmente quando vêm acompanhadas de sinais de alerta.
“Dor abdominal frequente, sangue nas fezes ou perda de peso sem explicação são sintomas que precisam de investigação médica”, encerra Bechara.
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