Ginecologista revela se existem estratégias para retardar a menopausa
A ginecologista Maria Clara Carvalho revelou que não há um tratamento para atrasar a menopausa. Porém, alguns hábitos interferem na saúde

A menopausa marca o fim natural da fase reprodutiva feminina. A chegada desse momento, no entanto, nem sempre é encarada com tranquilidade, sobretudo por causa dos sintomas associados à ela, como ondas de calor, alterações no sono e oscilações de humor. Diante das mudanças no corpo e na mente, uma pergunta comum pode surgir nos consultórios de ginecologia: é possível retardar a última menstruação?
De acordo com a ginecologista Maria Clara Carvalho, ainda não existe um tratamento comprovado capaz de retardar o período de maneira segura e previsível.
“Sabemos que o envelhecimento ovariano é um processo biológico complexo, influenciado principalmente pela genética e pela redução progressiva da reserva de folículos ovarianos ao longo da vida. Atualmente, a ciência investiga estratégias para preservar a função ovariana, mas ainda não temos uma intervenção que tenha demonstrado prolongar a idade da menopausa com benefício clínico consistente”, pontuou.
Saiba o que influencia o ciclo reprodutivo feminino
Embora ainda não exista uma fórmula capaz de atrasar o fim natural da fase reprodutiva, a médica esclarece que alguns hábitos podem interferir na saúde da mulher. “O que sabemos é que evitar o tabagismo e reduzir exposições que possam prejudicar os ovários são medidas importantes para a saúde reprodutiva”, comenta.
Segundo Maria Clara, o cigarro contém substâncias que podem afetar a função ovariana. Parar de fumar traz benefícios para a saúde reprodutiva e geral. Já a relação entre peso corporal e idade da menopausa é menos consistente. “Não há evidências que justifiquem recomendar ganho ou perda de peso com a finalidade de adiá-la”, esclarece.
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Em relação às gestações e à amamentação, alguns estudos observacionais encontraram associação com uma menopausa mais tardia. Segundo a ginecologista, isso não significa, porém, que engravidar ou amamentar sejam estratégias para postergar esse processo.
“Também precisamos considerar o histórico reprodutivo e médico: cirurgias ovarianas, quimioterapia, radioterapia pélvica, determinadas condições genéticas e algumas doenças autoimunes podem comprometer a função ovariana e antecipar sua perda”, aponta.

Cuidado com falsas promessas
Técnicas como rejuvenescimento ovariano com plasma rico em plaquetas, terapias com células-tronco e outras abordagens regenerativas vendidas com a promessa de prolongar a função dos ovários ainda são experimentais. “Essas opções não devem ser oferecidas como métodos comprovados”, alerta Maria Clara Carvalho.
O uso de contraceptivos hormonais e a terapia de reposição hormonal também não preservam a fertilidade nem retardam o envelhecimento dos ovários.
“A terapia de reposição hormonal é utilizada para tratar sintomas e, em situações específicas, proteger a saúde diante da deficiência hormonal. É importante diferenciar a preservação da fertilidade, por meio do congelamento de óvulos ou embriões, do adiamento da menopausa, porque são objetivos diferentes”, avalia a médica.
Tenha cuidado com suplementos e tratamentos comercializados como aliados do prolongamento da vida fértil. “Não temos evidências clínicas suficientes de que antioxidantes, hormônios ou outros suplementos consigam retardar a menopausa em mulheres saudáveis. Portanto, a recomendação é investir nesses produtos pelos benefícios comprovados para a saúde, sem criar a expectativa de que eles impeçam ou adiem o envelhecimento ovariano”, adverte Maria Clara Carvalho.

Fatores associados a menopausa
A menopausa não tem uma idade definida para acontecer. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) aponta que a fase ocorre em médica entre os 48 e 51 anos no Brasil.
O que muda de mulher para mulher? Segundo Maria Clara Carvalho, o período é marcado por uma combinação de fatores genéticos, biológicos e ambientais.
“A genética tem um papel importante, e conhecer a idade em que a mãe ou as irmãs entraram na menopausa pode ajudar a identificar uma possível predisposição familiar. Entretanto, isso não permite prever com precisão quando a menopausa acontecerá em uma determinada mulher”, encerra.

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