Claudia Meireles

Delivery aumenta risco de doenças do coração; médico explica como

As escolhas alimentares feitas nos aplicativos de comida podem influenciar o metabolismo e deixá-lo mais inflamado

atualizado

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Open Delivery
1 de 1 Open Delivery - Foto: Pixabay

Comida via delivery pode facilmente se tornar um hábito “confortável”: basta escolher, pedir e esperar o entregador — sem louça suja e sem perda de tempo. Entretanto, o que é uma facilidade no dia a dia pode cobrar um preço alto a longo prazo, caso não haja prudência nas escolhas.

Um novo estudo da Food Science & Nutrition revela que existe uma correlação entre pedir comer fora e maior risco de desenvolver inflamação crônica, um fator chave para doenças cardiovasculares. Para chegar a conclusão, os pesquisadores avaliaram um década de dados da Pesquisa Nacional em Nutrição e Saúde dos Estados Unidos, e fizeram visitas e entrevistas com os pacientes.

O resultado é que pessoas que consomem mais delivery têm um perfil cardiometabólico desfavorável e, consequentemente, uma tendência a maior taxa de mortalidade. O estudo deixa claro, no entanto, que não é a “comida de fora” em si que traz esses malefícios, e sim as escolhas alimentícias feitas na hora de comer — em geral, alimentos altos em gorduras e açúcares.

Mulher com compulsão alimentar - Metrópoles
Em geral, quem consome comidas prontas tem maior tendência a fazer escolhas menor saudáveis

Por que o delivery aumenta risco de doenças do coração

O médico Eduardo Pastorelli, nutrólogo do Hospital São Lucas Copacabana, destaca que pratos congelados, fast-food e lanches processados apresentam um componente que estimulam a produção de respostas inflamatórias.

“Gorduras saturadas e gorduras trans — de frituras em óleo vegetal refinado, molhos prontos e queijos processados—, açúcar refinado e farináceos encontrados em refrigerantes, pizzas, massas com farinha branca, biscoitos e sobremesas, assim como o sódio em excesso e aditivos químicos das linguiças, bacon, presunto e carnes de fast-food, são algumas delas”, explica o especialista.

Com um consumo considerável durante a semana, o pacientes que segue essa dieta pode desenvolver “aumento na resistência a insulina“; ter uma propensão a “converter o excesso de carboidratos em triglicerídeos e esteatose hepática”, a famosa gordura no fígado; além de “elevação do LDL”, o colesterol ruim, e de” outros marcadores inflamatórios como ácido úrico, PCR e homocisteína, que contribuem para a aterosclerose”, esclarece Eduardo Pastorelli.

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Ao optar por comidas prontas que têm valor nutricional ruim, o coração fica mais vulnerável a doenças
Escolher alimentos mais saudáveis é a chave para diminuir os riscos de doenças cardiovasculares
Evitar carboidratos de alimentos ultraprocessados é importante
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Evitar carboidratos de alimentos ultraprocessados é importante

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Ao optar por comidas prontas que têm valor nutricional ruim, o coração fica mais vulnerável a doenças
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Ao optar por comidas prontas que têm valor nutricional ruim, o coração fica mais vulnerável a doenças

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Escolher alimentos mais saudáveis é a chave para diminuir os riscos de doenças cardiovasculares
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Escolher alimentos mais saudáveis é a chave para diminuir os riscos de doenças cardiovasculares

Leticia Senciani/Getty Images

De olho no intestino e na pressão arterial

A falta de fibras e o excesso de emulsificantes e aditivos químicos em comidas prontas também podem prejudicar a microbiota intestinal. “Há aumento na permeabilidade intestinal e a inflamação sistêmica, originando um quadro conhecido como Leaky Gut“, pontua o médico. Essa condição é caracterizada pelo enfraquecimento da barreira intestinal, o que facilita a passagem de toxinas, bactérias e alimentos não digeridos para a corrente sanguínea.

A pressão arterial é afetada pelo excesso de sódio e adição de açúcares, bem como as gorduras saturadas, que aumentam o risco de doenças cardiovasculares. “O consumo de delivery acaba por contribuir para a falta de nutrientes, pois substituem frutas, verduras e legumes, essenciais para o controle da pressão arterial”, garante.

Eduardo Pastorelli, médico nutrólogo
Além da dieta, o principal fator de risco para o aumento de doenças cardiovasculares, doenças inflamatórias e cânceres é o sedentarismo. A falta de atividade física atinge órgãos vitais, aumenta a pressão arterial e facilita o acúmulo de gordura, dobrando o risco de doenças cardíacas. O tabagismo danifica o endotélio (camada interna dos vasos), causando inflamação e aumentando o risco de trombose e aterosclerose. O consumo de álcool, e fatores emocionais como estresse e depressão também contribuem para o risco cardiovascular

Estratégias para diminuir o consumo

Para evitar “ficar flertando” com o aplicativo e cair na comodidade da comida pronta, o nutrólogo recomenda desinstalar o aplicativo do celular. Essa atitude “carrega uma conotação de comprometimento importante” a quem deseja modificar o comportamento, “dificultando o acesso aos fast-food em momentos de ansiedade ou desejo extremo”, diz.

Aos que preferem seguir com parcimônia, é possível estabelecer regras, como recorrer ao delivery apenas uma vez na semana e, aos poucos, dar preferência para alimentos naturais, frutas, legumes, cereais integrais. “Isso precisa estar associado a mudanças no estilo de vida. Exercícios regulares, meditação e higiene do sono são importantes aliados na conquista do objetivo”, conclui.

Prato de comida com alimentos saudáveis - Metrópoles
Alimentação equilibrada ajuda não apenas o coração, mas melhora a saúde do corpo como um todo

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